Analistas prevêem volatilidade nas ações da Arcelor Brasil

A manutenção da decisão da área técnica da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de não aceitar a metodologia utilizada pela Arcelor Mittal para cálculo do valor a ser pago pelas ações dos minoritários da Arcelor Brasil deve resultar em volatilidade dos papéis no curto prazo. No médio prazo, a perspectiva é de tendência de queda se o colegiado referendar a avaliação técnica e a Arcelor Mittal decidir disputar a questão judicialmente, segundo analistas consultados pela Agência Estado. Ontem, os papéis ordinários (ON) da Arcelor Brasil terminaram em alta de 1,93%, negociados a R$ 47,50 na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). "A Arcelor Mittal recorreu ao colegiado da CVM para ganhar tempo, mas, se não conseguir reverter a situação, deverá levar o caso à Justiça. Isso pode provocar queda no valor das ações", diz um analista que prefere não ser identificado. No curto prazo, segundo ele, a posição da CVM favorece os minoritários, promovendo uma "expectativa de alta restrita", que tem como teto os R$ 51,27 por ação estimados pela autarquia. O analista diz que não se surpreendeu com a decisão da área técnica, pois o órgão já havia embasado sua recusa de acatar o critério da Arcelor Mittal, argumentando que não tinha encontrado indícios do uso do EV/Ebitda para fundamentar a oferta na Europa. "O ativo já está precificado, então não há muito espaço para o papel subir. Se a discussão for para a Justiça, a tendência é que os investidores não se posicionem em algo que está em litígio", avalia uma analista que também prefere manter sigilo. Disputa judicial A analista da SLW, Kelly Trentin, diz que o cenário é de volatilidade para as ações. "Se houver a noção de que a Arcelor Mittal vai acatar a decisão da CVM, os papéis vão correr para R$ 51", diz Kelly. Se a opção da empresa for pela disputa judicial, a tendência passa a ser de queda das ações diante da indefinição do que pode ocorrer. "Não se sabe quanto tempo a discussão pode levar, nem o preço que será definido", diz a analista da SLW. Para o analista da ABN Amro Real Corretora, Pedro Galdi, "os papéis deverão ficar voláteis até o fim da novela". "O papel abriu forte hoje, pois o mercado entendeu que a decisão da CVM era favorável aos minoritários, mas caiu quando a Arcelor Mittal divulgou que estava decepcionada com a decisão." Segundo Galdi, o mais provável é que o colegiado da CVM mantenha a decisão da área técnica, a Arcelor Mittal opte por discutir judicialmente a questão, e a Justiça dê ganho de causa à CVM. "O poder de manobra da Arcelor Mittal está diminuindo", diz o analista da ABN Amro Real Corretora. A Arcelor Mittal protocolou pedido de oferta pública de aquisição de ações dos minoritários da Arcelor Brasil junto à CVM em outubro do ano passado, no valor de 12,11 euros por papel (cerca de R$ 34). Na época, a Arcelor Mittal argumentou que o valor proposto foi baseado no critério do múltiplo EV/Ebitda (relação valor da empresa/geração operacional de Caixa), o mesmo que teria sido usado na oferta pelos papéis dos minoritários da Arcelor na Europa. Em fevereiro, a área técnica da CVM divulgou que não acatou a justificativa da Arcelor Mittal para o preço das ações e avaliou que o valor de mercado seria o critério mais indicado. A Arcelor Mittal solicitou que o colegiado da CVM revisasse a decisão. Mas, como a empresa adicionou novos documentos ao processo, o caso voltou para nova análise da área técnica. Foi nesse ponto que a CVM teve então acesso a cartas confidenciais trocadas entre o ex-presidente da Arcelor Joseph Kinsch e Lakshimi Mittal. O Morgan Stanley, advisor da Arcelor, teria recomendado, em uma das cartas, que o conselho da Arcelor aceitasse a oferta da Mittal e não a proposta da concorrente russa Severstal, argumentado que a oferta da Mittal era melhor.

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