Analistas recomendam ações do setor de infra-estrutura

Mesmo com os dois passos atrás que o governo deu na semana passada em medidas consideradas importantes pelo mercado para estimular o crescimento do País, analistas continuam incluindo entre suas recomendações de investimento ações de empresas ligadas ao setor de infra-estrutura. O governo deu o primeiro passo atrás no dia 8. Ao sancionar a nova lei de saneamento básico, o presidente Lula vetou o artigo que permitia que o valor dos investimentos fosse utilizado como crédito tributário pelas empresas para o pagamento do PIS e da Cofins. Analistas justificam que o veto já era esperado. ?A norma praticamente eliminava PIS e Cofins para as empresas que investissem em saneamento?, diz Carlos Nunes, analista de investimento da Coinvalores. Ele avalia que o Fundo de Investimento em Infra-Estrutura e Saneamento que o governo promete criar é uma forma de compensar o veto ao benefício fiscal. O segundo passo atrás foi dado no dia 9, quando a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou a suspensão de concessão de rodovias à iniciativa privada. No dia seguinte, ela admitiu que as licitações poderão ser retomadas sob novo modelo. ?A impressão é de que a suspensão não é definitiva?, disse Adriano Blanaru, analista-chefe da Link Corretora. Por isso, os papéis de duas empresas interessadas em concessões rodoviárias continuam entre as principais apostas de Blanaru: a Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR) e a OHL Brasil. Os preços dos papéis dessas empresas desabaram semana passada após o anúncio da suspensão - desde quarta feira, as ações da CCR acumulam queda de 5,20% e as da OHL Brasil, de 10,15%. Blanaru diz, no entanto, que a CCR tem porte grande e outras frentes para crescer: ela ganhou a licitação de operação da Linha 4 do Metrô de São Paulo (a CCR não participa da execução da obra onde ocorreu o desabamento na sexta-feira; ela fará a operação, após o fim da obra) e está participando de licitação de rodovias nos Estados Unidos. A OHL tem porte menor, ?e por isso mesmo cada operação que vier a ganhar terá impacto grande nas suas receitas?. Ele indica também ações da ALL Ferrovias, porque há o objetivo do governo de aumentar a participação do modal ferroviário na matriz de transporte do País e os efeitos positivos da compra pela empresa da Brasil Ferrovias em 2006. Nunes lembra que até agora o País cresceu utilizando a capacidade ociosa, ?mas os gargalos já impedem o crescimento?. E é nas áreas onde os investimentos serão necessários que o aplicador pode encontrar oportunidades. No setor de energia, ele cita geradoras como a CPFL e a Tractebel. Em saneamento, a Copasa. ?No setor, é a melhor e a mais rentável.? Na construção civil, destaca a Rossi Residencial, por causa de subsídios do governo à habitação. Na esteira desse segmento, devem valorizar-se, ele estima, as ações de siderúrgicas: ?A Gerdau, principalmente.? Kelly Trentin, analista de mercado da SLW Corretora, diz que é preciso ter cautela até o anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) pelo governo. ?Não se sabe mais o que vem depois dos retrocessos da semana passada?, diz. Mas reforça tendências positivas para construção civil, energia elétrica e infra-estrutura de logística (ferrovias e rodovias). Acredita em bom desempenho do setor de computação, porque o governo tem interesse em incentivar o uso de computadores nas classes de menor renda. ?E por causa do impulso à construção civil, os bancos tendem a ser beneficiados.? Daniel Doll Lemos, analista da Socopa, também elege ações da CCR, ALL e OHL Brasil. No setor de máquinas, ele seleciona Weg, Randon, Iochpe. No de energia, CPFL e Cemig.

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