Analistas seguem otimistas com ações ligadas a commodities

Petrobrás, Vale, siderúrgicas, Suzano e Fibria se destacam com cenário positivo para a economia mundial

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2018 | 05h00

Com o cenário positivo para a economia mundial, o início do ano tem sido marcado pelo avanço dos preços das commodities e, consequentemente, de ações ligadas a elas, caso de Petrobrás, Vale, siderúrgicas, Suzano e Fibria. A dúvida agora é até quando irá se sustentar o rali dos papéis. 

A equipe de análise do Santander calcula que o petróleo WTI já subiu 5% em janeiro, a celulose cotada na Europa, teve alta de 2%, e o minério de ferro, de 3,5%. 

No mesmo período, a ação preferencial da Petrobrás se valorizou cerca de 13%, enquanto o papel ordinário subiu 14%. Vale acumulou aumento de 6,5%. No setor de siderurgia, Gerdau avançou 13%. Usiminas, 24%, e CSN, 27%. Em papel e celulose, Suzano subiu 13%. O Índice Bovespa, referência da bolsa de valores, por sua vez, registrou aumento de 6%.

O analista da Magliano, Carlos Soares, explica que o cenário para os preços de commodities se mostra promissor neste início de 2018, sustentado pelo crescimento da economia mundial, que acaba ajudando a atividade econômica da China e uma coisa impulsiona outra. Mas cada uma das matérias-primas tem um fator específico a ser abordado. 

“No caso do minério de ferro, o fato de a China estar buscando agressivamente reduzir a poluição tem gerado uma maior demanda por minério de alta qualidade, o que ajuda a sustentar os preços. O nível de estoques hoje existente nos portos da China mudou de patamar e, para a sua manutenção em 130 milhões de toneladas, as aquisições passarão a ser constantes”, explica. “O preço do minério de ferro entre US$ 60 a US$ 75 a tonelada, não permite a retomada de muitas minas de alto custo, que só são viabilizadas acima de US$ 80 por tonelada, o que nos leva a crer que o preço possa se situar, no primeiro semestre deste ano, na faixa atual de US$ 75.”

Do lado do petróleo, Soares lembra que existe um novo pacto entre membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para estabilizar a oferta em nível inferior, o que tem colaborado para o preço voltar ao seu melhor nível em três anos.

Ricardo Peretti, estrategista de pessoa física da Santander Corretora, diz que os preços das commodities podem sofrer correção a médio/longo prazo, porém, a perspectiva para ações ligadas a elas segue positiva no curto prazo, uma vez que os níveis das matérias-primas devem dar respaldo a bons resultados do quarto trimestre de 2017 e do primeiro trimestre deste ano. 

“Restrições de oferta pontuais em certas cadeias de distribuição têm permitido que a demanda supere a oferta no caso de algumas commodities, potencializando as altas recentes”, diz Peretti. “Acreditamos que parte das commodities negociadas em nível global já se encontra em patamares insustentáveis no médio a longo prazo, permitindo algum tipo de correção após ajuste da oferta.”

Sandra Peres, analista da Coinvalores, lembra que o arrefecimento moderado na China - no lugar de uma forte desaceleração, como alguns poderiam supor - tem ajudado os preços das commodities, bem como a continuidade da realização de investimentos em infraestrutura no país. “Esse será um ponto crucial para determinar até quando haverá fôlego para valorização das commodities, sobretudo das metálicas.” Especificamente para o petróleo, a perspectiva é de que a animação dure mais tempo, diz.

Confira abaixo a carteira recomendada pelas corretoras.

 

 

 

Tudo o que sabemos sobre:
Bolsa de Valores

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.