Samuel K / DIvulgação B3
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Analistas veem potencial de alta em estreantes na Bolsa

Ação da operadora de planos de saúde Intermédica Notredame subiu quase 23%, variação semelhente a da Hapvida

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2018 | 04h00

As bem-sucedidas ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) que aconteceram nesta semana chamaram a atenção dos analistas. No pregão de estreia, a ação da operadora de planos de saúde Intermédica Notredame subiu quase 23%. Variação semelhante foi registrada pela também operadora de planos de saúde Hapvida, no primeiro dia de negociação.

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O analista da Guide Investimentos, Rafael Passos, disse que a equipe de análise da corretora ainda espera mais quatro ou cinco ofertas públicas iniciais neste ano. “Acreditamos, por exemplo, no IPO do banco Agibank e da varejista Quero-Quero”, relatou. “Há alguns nomes que ainda estão incertos, como da varejista Centauro. O cenário para a renda variável continua com contexto favorável, porém o risco político gera cautela.” 

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Em sua avaliação, essa cautela pode diminuir quando forem definidos os candidatos a presidente da República. “Hoje há um centro fragmentado. Não há nenhum candidato mais claro reunindo o centro e a esquerda está dissipada”, disse. “Com um caminho mais previsível, é muito provável que já comece a haver um fluxo mais intenso em renda variável.”

Sobre os IPOs desta semana, Passos relatou que, quando a equipe da Guide olhou os números da Hapvida, a empresa chamou a atenção. A avaliação foi de que ela é mais eficiente do que a Intermédica Notredame. “Hoje a Hapvida tem uma estrutura muito mais verticalizada. Na análise do índice de internação, 96% das internações acontecem nos próprios hospitais da Hapvida, enquanto no caso da Intermédica 56% acontecem em hospitais parceiros”, disse. Assim, para o analista, Hapvida é beneficiada por um nível maior de sinergia, na comparação com a Intermédica.

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Mário Roberto Mariante, analista da Planner, relatou que os investidores enxergaram bom potencial de valorização das ações da Intermédica Notredame e da Hapvida, o que explica a forte demanda registrada e o avanço dos papéis. “Acredito que podem ser casos de sucesso na bolsa, em função da atratividade do setor e da qualidade dos números das companhias. São duas empresas com boa presença no mercado de saúde”, disse Mariante. 

O analista da Lerosa Investimentos, Vitor Suzaki, explicou que a forte demanda observada pelas estreantes na bolsa deriva da resiliência do setor de saúde, em meio ao ambiente de crise econômica; à pulverização setorial, com espaço para consolidação e também para crescimento orgânico em mais regiões; e à baixa penetração do serviço na população brasileira.

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Suzaki avalia que a perspectiva segue positiva, com a retomada da atividade econômica e a expectativa de melhora no nível de emprego. No restante do ano, Suzaki vê uma redução do número de IPOs, na comparação com o visto em 2017, e lembrou que três das operações esperadas acabaram gerando frustração entre investidores - as da Blau Farmacêutica, da Dass e da Ri Happy Brinquedos - com sinais de dificuldades de demanda. 

Carlos Soares, analista da Magliano, não descarta a ocorrência de novos IPOs neste ano. Porém, ele observa que com o cenário eleitoral se aproximando, a janela de oportunidades tende a diminuir, o que pode levar ao adiamento de possíveis ofertas. 

No dia 30, haverá a estreia na bolsa do Banco Inter. A ação foi precificada em R$ 18,50, um pouco acima do piso do intervalo previsto.

 

 
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