Analistas veem risco maior na Petrobrás, sem descartar a ação

Risco das ações da Petrobrás aumentou, principalmente no curto prazo, em razão das medidas anunciadas nesta semana para os preços dos combustíveis

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2018 | 04h00

Os analistas divergem quanto à tese de investimento na Petrobrás. Para alguns, ela mudou, enquanto, para outros, não. Eles estão de acordo em um ponto, contudo: o risco aumentou, principalmente no curto prazo, em razão das medidas anunciadas nesta semana para os preços dos combustíveis. Ainda assim, não descartam o investimento na estatal, que pode ser uma boa ideia para aqueles que não são focados no curto prazo ou que possuem perfil arrojado. 

O analista da Coinvalores, Felipe Silveira, explica que agora as incertezas são grandes, “sobretudo no que se refere à continuidade da política de reajustes diários dos preços e da gestão do presidente da estatal, Pedro Parente”. Na sua avaliação, os papéis da petroleira tendem a ficar ainda mais voláteis no curto prazo e a recomendação de compra, por ora, passou a ser destinada principalmente para investidores de perfil arrojado.

O analista da Magliano, Sergio Goldman, acredita que a tese de investimento na Petrobrás não mudou, porque se resume a um processo gradual que envolve melhorias operacionais, ganhos de eficiência, aumento de geração de caixa, desalavancagem e melhoras práticas de governança. 

“Esse processo, por implicar forte mudança de cultura corporativa, pode e deve sofrer solavancos ao longo do tempo. Eventos como os vistos nesta semana são exemplos desses solavancos. Mas, no médio prazo, me parece que esse processo irá continuar. Por isso, acho que a tese de investimentos não mudou”, explicou.

A equipe do BB Investimentos escreveu em relatório que, considerando que a política de preços está no cerne de sua tese de investimento, veem aumento do risco. A avaliação é de que a volatilidade observada nos papéis da empresa sinaliza o alto grau de preocupação dos investidores.

Nesta semana, poucos times de analistas optaram por promover alterações nas carteiras. A Magliano trocou Gerdau por Cemig, em razão dos múltiplos (medidas de avaliações de ações) atraentes. 

“O reajuste médio de tarifas de 23,19%, anunciado na semana que passou, apesar de ter vindo um pouco abaixo do esperado, terá impacto positivo sobre a geração de caixa da empresa. Esse aumento na geração de caixa deve reduzir ainda mais a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda consolidada que, ao final do primeiro trimestre de 2018 era de 3,6 vezes”, disse Goldman. 

“Vemos as ações da empresa como boa opção para investidores que buscam aumentar exposição em oportunidades de aplicação defensivas”, acrescentou. 

A Coinvalores trocou São Carlos por Azul. “Entendemos que a queda recente dos papéis da Azul foi exagerada, mesmo tendo em vista a alta no preço do petróleo e a desvalorização do real”, disse Felipe Silveira. 

Os analistas da Coinvalores enxergam a companhia do setor aéreo como a melhor posicionada para repassar essas condições de mercado para o preço das passagens, especialmente em razão da posição em rotas onde enfrenta menor concorrência.

A semana foi marcada por turbulência na bolsa de valores e elevada volatilidade dos papéis. Minerva - indicação da Lerosa Investimentos - foi o papel que mais subiu, com avanço de 10,92%. Em segundo lugar, apareceu Magazine Luiza, que estava na carteira da Coinvalores, com 6,58%.

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