Anhanguera inaugura hoje setor de educação na Bolsa

A Anhanguera Educacional estréia hoje na Bolsa de Valores de São Paulo, inaugurando um novo segmento no mercado de ações: o de educação. Durante o período da oferta, a empresa informou ao mercado que está negociando a compra de duas instituições de ensino superior no Estado de São Paulo. A Anhanguera financiará a operação com parte dos recursos captados em sua oferta. Segundo especialistas, a Anhanguera puxa a fila de uma série de outras instituições de ensino privadas, que desejam buscar recursos para a expansão de suas atividades. Um primeiro contato com esse ambiente foi feito pela Positivo, que decidiu abrir o capital de sua área de informática. A iniciativa da Anhangüera acompanha o crescimento das faculdades e universidades pagas no País. No entanto, para acessar o mercado de capitais essas instituições terão de encarar um ambiente novo. A cobrança por resultados, o imediatismo dos analistas, as pressões pelo cumprimento das metas e a busca por lucros crescentes fazem parte da rotina dos investidores. A entrada das redes de ensino na Bovespa pode levantar discussões entre os especialistas em educação. No mercado, uma possível incompatibilidade entre a vocação da faculdade e as perspectivas dos aplicadores pode acabar se resolvendo com um desconto sobre as ações. Os últimos dados disponíveis, de 2004, mostram que o setor privado responde por 71,7% dos alunos matriculados em instituições de ensino superior no Brasil. O total de matrículas, em faculdades públicas e privadas, cresceu quase 55% desde 2000. As informações são do Censo da Educação Superior 2004, realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) - uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Educação (MEC). Segundo o censo, existem no Brasil 18.644 cursos superiores, sendo 6.284 na rede pública (33,7%) e 12.360 na rede privada (66,3%). Em 2004, foram oferecidas 2,320 milhões de vagas pelo sistema, um aumento de 15,8% em relação ao ano anterior. No entanto, 43,8% das vagas oferecidas não foram preenchidas. Nas federais, esse porcentual foi de apenas 0,9%, mas nas privadas atingiu 49,5%. A relação candidato/vaga ficou em 2,2. Nas públicas, o indicador sobe para 7,9, enquanto nas instituições pagas cai para 1,3.

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