Apenas 18% dos brasileiros compram seguro, diz pesquisa

Para presidente da FenaPrevi, números refletem a falta de conhecimento do consumidor sobre os serviços

Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2014 | 08h28

SÃO PAULO - Apesar de a maioria dos brasileiros se preocupar com a possibilidade de ocorrências imprevisíveis, somente 18% da população compram seguros para se proteger de infortúnios. A constatação é de uma pesquisa feita pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi). 

A pesquisa conduzida pelo Instituto Ipsos entrevistou 1,5 mil pessoas das classes A,B,C,D e E nas cinco regiões do País e concluiu que 66% da população se preocupa com infortúnios, mas apenas 31% toma medidas financeiras para se proteger. Entre os que tomam, 36% recorrem a aplicações financeiras, 35% compram seguros e outros 29% economizam de forma doméstica. 

Olhando para a totalidade da amostra, entre precavidos e não precavidos, apenas 18% dos brasileiros recorrem aos seguros de vida e de acidentes pessoais como forma de proteção. Desses, a modalidade com maior penetração entre os consumidores brasileiros é o seguro funeral, que cobre despesas com sepultamento e procedimentos burocráticos em caso de falecimento do segurado, com 11%.  

Em segundo lugar, vem o seguro por morte, com 8% da amostra. As apólices que protegem os cidadãos por invalidez e o seguro de acidentes pessoais responderam por 4% cada. Já os seguros por desemprego e perda de renda alcançam apenas 1% da mostra, modalidade que é seguida por seguro viagem (0,5%), seguro educacional (0,3%) e seguro prestamista (0,1%), sendo o último destinado a cobrir o pagamento de parcelas em financiamentos em caso de morte, invalidez, desemprego ou perda de renda do segurado.  

O presidente da FenaPrevi, Osvaldo do Nascimento, destaca a falta de conhecimento sobre os serviços como um dos fatores para a baixa procura. "O que chamou atenção na pesquisa foi a dificuldade das pessoas entenderem do que elas necessitam em termos de cobertura de seguros. Não passamos para os cidadãos de maneira mais didática qual a complementaridade que o seguro de vida pode fazer para essas pessoas", avaliou ele, em coletiva de imprensa, nesta terça-feira, 28.  

Dificuldades na compra. Sobre os entraves que impossibilitam as pessoas de comprarem seguros, falta de renda disponível é a principal dificuldade para 53% da amostra analisada pela pesquisa da FenaPrevi. Outros 44% dizem nunca ter se interessado por contratar um seguro, e 15% declaram achar o preço alto para o benefício que o produto oferece. Da população consultada, 5% disseram não ter informações suficientes para adquirir um seguro e 1% disse não acreditar em seguros.  

"Mesmo que a renda tenha avançado nos últimos anos, ela ainda segue sendo um entrave para o crescimento do setor de seguros de pessoas", analisou Nascimento. "Conforme a pesquisa indica, no contexto da média do orçamento familiar brasileiro, o seguro ainda é um item de proteção financeira inacessível", complementa.  

Realizada pelo Instituto Ipsos, a pesquisa foi feita com base em entrevistas domiciliares com 1,5 mil indivíduos (53% do sexo feminino e 47% masculino) das cinco regiões do país, das classes A/B, C e D/E. Segundo o presidente da FenaPrevi, é a primeira vez que a instituição faz um estudo setorial com uma amostra desta abrangência.  

Patrimônio. De acordo com o presidente da FenaPrevi, o patrimônio da previdência privada no Brasil deve ultrapassar o dos fundos de pensão em cinco anos. Hoje, esse montante está, de acordo com ele, em R$ 400 bilhões ante R$ 600 bilhões do mercado fechado de previdência.  "Há cinco anos, o patrimônio da previdência privada era menos de 25% do patrimônio dos fundos de pensão. Hoje, está em R$ 400 bilhões e vai crescer mais que o patrimônio dos fundos de pensão, pois as contribuições na previdência privada crescem em um ritmo superior aos pagamentos", avaliou. Nascimento ponderou, porém, que o desenvolvimento dos fundos de pensão do executivo, legislativo e judiciário tendem a impulsionar o patrimônio da previdência fechada.  


 

 

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