Após aquisições, Bom Gosto prepara IPO

Líder em processamento de leite longa vida no País, laticínio comprou sete empresas nos últimos três anos e quer chegar à Bolsa até 2013

Tatiana Freitas, de O Estado de S. Paulo,

20 de maio de 2010 | 23h00

Líder no processamento de leite longa vida no País, a gaúcha Bom Gosto, que comprou sete empresas nos últimos três anos e assumiu a posição de consolidadora no mercado de lácteos, prepara-se para abrir o capital. Segundo o presidente da companhia, Wilson Zanatta, "o plano A" da empresa é o IPO (oferta pública de ações). "Nos últimos anos, nós corremos atrás de tamanho. Hoje, temos tamanho. Agora precisamos correr atrás de resultados", afirma. Zanatta diz que pretende deixar a empresa pronta para o IPO no próximo ano e, a partir daí, aguardar as condições mais favoráveis de mercado para a oferta de ações. "Estamos nos preparando sem prazo, sem corrida contra o relógio. Em 2011 nós vamos estar prontos. Acho que em 2012 ou 2013 iremos ao mercado."

Com os recursos que serão captados na oferta de ações, o presidente da Bom Gosto considera a possibilidade de expandir a atuação para outros segmentos do ramo alimentício e intensificar o processo de internacionalização.

A Bom Gosto está construindo uma fábrica de lácteos no Uruguai com capacidade de processamento de 600 mil litros de leite por dia. A unidade, a primeira indústria de laticínios brasileira a se instalar fora do País, deve ficar pronta em 2012. "Do ponto de vista estratégico, faz todo o sentido estar no Uruguai, que exporta lácteos para o mundo inteiro. Com exportações a partir do Uruguai, podemos fazer clientela lá fora e abrir as portas para o produto brasileiro", explica.

Ociosidade

A Bom Gosto possui 22 fábricas em oito estados, com capacidade de processamento de 6 milhões de litros de leite por dia. Atualmente, a empresa está produzindo 4 milhões de litros ao dia, e o elevado nível de ociosidade deve fazer com que a fabricante freie o ritmo de aquisições. "A nossa avaliação é de que há espaço para crescer organicamente no Brasil, sem aquisições por um período", afirma o executivo.

Para Zanatta, entretanto, o processo de consolidação no setor mal começou. Ele cita que, na Nova Zelândia, 95% do leite processado é fabricado por uma única empresa, a Fonterra. Na América do Sul, o Uruguai tem 55% do leite processado em um único produtor. "No Brasil, a Nestlé (líder em volume) tem 7%. A Bom Gosto tem 5%. Então o processo de consolidação nem começou, está apenas dando um sinalzinho. Ainda tem muita coisa pela frente."

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