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Após balanço, ação ordinária da Petrobrás tem alta e preferencial fecha em queda

Papel ordinário chegou a cair 6,3% e o preferencial, 9,3%; ao longo do dia, porém, ação ON passou a subir fortemente, enquanto PN suavizou perdas

O Estado de S. Paulo

23 de abril de 2015 | 10h20

Atualizado às 17h20

Depois de abrir em queda expressiva nesta quinta-feira, 23, as ações da Petrobrás oscilaram ao longo do dia e fecharam em direções opostas. A ação ordinária fechou em alta de 5,63% (R$ 14,06), enquanto a preferencial terminou o dia em baixa de 1,52% (R$ 12,92) em função do não pagamento de dividendos. 

O Ibovespa encerrou a sessão com alta de 1,95%, aos 55.684 pontos, o maior patamar desde 24 de novembro do ano passado. Além de Petrobrás, influenciou o desempenho dos papéis da Vale - a ON fechou em alta de 8,43% e PN com ganho de 6,56%. 

Ontem a Petrobrás informou em seu balanço que perdeu R$ 6,2 bilhões com a corrupção e registrou o primeiro prejuízo anual desde 1991. 

Pela manhã, o papel preferencial (PN) chegou a ceder mais de 9% e o ordinário (ON), mais de 6%. Durante o dia, porém os sinais se inverteram. A ação ordinária passou a subir consistentemente e chegou a entrar em leilão. Já o papel preferencial chegou a zerar perdas e operar em alta em alguns momentos, mas terminou o dia em queda.

Dividendos. Analistas de mercado dizem que a diferença entre a cotação das ações ordinárias e as preferenciais se dá diante da falta de perspectiva de quando a empresa deve voltar a pagar dividendos. A ação ON têm direito a voto, enquanto a PN tem preferência na distribuição de dividendos.

Em teleconferência com analistas e investidores mais cedo, o diretor Financeiro da Petrobrás, Ivan Monteiro explicou que a decisão de não remunerar os acionistas pelo exercício de 2014 teve o objetivo de preservar o caixa da empresa neste período de crise. O executivo disse ainda que a empresa vai pagar dividendos relativos ao exercício de 2015, caso seja registrado lucro no período.

Desde 1986, a Petrobrás só não distribuiu dividendos em 1992, após o prejuízo de 1991, e agora no ano de 2015 devido ao prejuízo de 2014.

Perspectiva. Um bom sinal para a Petrobrás veio hoje com a elevação, pelo HSBC, da projeção de preço-alvo para ações PN da Petrobrás de R$ 7 para R$ 9. Ainda assim, a maioria do mercado se desfaz das ações da companhia.

Os analistas Luiz Carvalho e Filipe Gouveia, do HSBC, destacam que a divulgação dos resultados auditados de 2014 afasta o risco de credores da estatal exigirem a antecipação do pagamento de dívidas contraídas anteriormente, o que é positivo para a Petrobras. Os resultados operacionais, por outro lado, trazem preocupações.

Para o Itaú BBA, a divulgação do balanço financeiro auditado é um alívio. A corretora lembra que desde que a empresa anunciou o primeiro atraso na divulgação dos números do terceiro trimestre seu valor de mercado chegou a encolher US$ 70 bilhões. O foco agora deve ser a redução da alavancagem.

Corrupção. Para calcular as perdas com corrupção, a Petrobrás considerou a aplicação de um porcentual fixo sobre o valor total de todos os contratos entre 2004 e 2012. Os mesmos 3% que foram indicados nos depoimentos do ex-diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, que depois de preso pela Polícia Federal, revelou o esquema em delação premiada.

A estatal pontuou que as investigações internas e externas ainda estão em andamento, mas que já toma medidas jurídicas necessárias perante as autoridades brasileiras para buscar ressarcimento pelos prejuízos sofridos, incluindo aqueles relacionados à sua reputação. A Petrobrás espera. inclusive, entrar com ações cíveis contra membros da Lava Jato.

Vale. No caso da Vale, os papéis ainda reagem aos dados de produção divulgados ontem. Mesmo em meio à forte queda nos preços do minério de ferro nos últimos meses, a produção da companhia subiu 4,9% no primeiro trimestre, em uma tentativa agressiva de manter ou mesmo ganhar participação de mercado. Hoje, o preço do minério no mercado à vista chinês subiu 1,7%, a US$ 53,8 a tonelada, dando continuidade ao ganho de 4,1% registrado ontem. (Com informações da Agência Estado)


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