Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Após bater recorde, dólar recua para R$ R$ 4,16 e Bolsa avança 1%

Na véspera, moeda americana havia fechado a R$ 4,1998, maior valor nominal desde a criação do Plano Real

Altamiro Silva Junior, Bárbara Nascimento e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2018 | 18h17

O dólar teve um dia de trégua nesta sexta-feira, 14, após encostar em R$ 4,20 ontem e chegar à maior cotação nominal do Plano Real. Depois de uma manhã volátil, a moeda engatou queda na parte da tarde e terminou o dia em R$ 4,1649, baixa de 0,83%. Mesmo assim, a moeda teve a segunda semana consecutiva de alta, acumulando valorização de 1,96% nos últimos cinco dias, e de 2,47% no mês.

Nas mesas de câmbio de bancos, gestoras e corretoras, o cenário para as eleições seguiu dominando as atenções e o dia foi de expectativa pela pesquisa eleitoral do Datafolha, que será divulgada às 19h. 

Mesmo após a alta de ontem, no começo do dia o dólar encontrou fôlego para subir um pouco mais e chegar a R$ 4,21 na abertura. Mas o movimento perdeu força e o real acabou se descolando de outras moedas de emergentes, que hoje perderam valor ante a moeda dos EUA. À tarde, chegou a cair para a casa dos R$ 4,15. 

Apesar da queda, especialistas alertam que a volatilidade vai continuar alta no mercado, que deve oscilar com o noticiário sobre as eleições e novas pesquisas eleitorais. "A temática eleitoral tem predominado de forma contundente no mercado", afirma o economista-Chefe da DMI Group, Daniel Xavier. O tema eleitoral tem preocupado também lá fora.

A gestora inglesa Ashmore Investment ressalta em relatório que há preocupações sobre como vai ficar a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) após a facada de que foi vítima. Já o banco de investimento norte-americano Brown Brothers Harriman & Co. (BBH) destaca hoje que Luiz Inácio Lula da Silva tenta transferir votos para Fernando Haddad, que assumiu a cabeça de chapa do PT no lugar do ex-presidente. 

Além da pesquisa do Datafolha que sai hoje, o Ibope deve divulgar novo levantamento na próxima terça-feira (18). Operadores ressaltam que o mercado quer ver, principalmente, como será o desempenho de Haddad e se Bolsonaro deve crescer ainda mais e/ou reduzir seus níveis de rejeição. O diretor da corretora Correparti, Jefferson Rugik, acredita que, até que as eleições estejam definidas, o câmbio deve continuar volátil. "Sobe num dia, cai no outro. É assim que a gente vai ver o mercado até o fim das eleições", disse. 

Rugik explica que a queda do dólar hoje tem relação com um movimento de desmonte de posições. "O investidor consegue ficar comprado até um certo nível. Quando chega no teto, desmonta posições", aponta. Mesmo com a forte pressão compradora nos últimos dias, o Banco Central tem ficado de fora do mercado, fazendo apenas leilões diários de rolagem de contratos de swap.

Bolsa de Valores

Uma recuperação mais robusta de ações de primeira linha conduziu a Bolsa a uma alta de 0,99% nesta sexta-feira, 14, aos 75.429,09 pontos. A valorização ocorreu em meio ao noticiário eleitoral mais ameno, apesar da expectativa por novas pesquisas de intenção de voto. No acumulado da semana, no entanto, o índice contabilizou perda de 1,29%, reflexo principalmente das incertezas quanto à formação do segundo turno da eleição presidencial.

Operadores afirmaram que a proximidade do vencimento do mercado de opções sobre ações, na segunda-feira (17), exerceu importante influência para o resultado do Ibovespa no final do dia. Petrobras PN (+0,43%), Vale ON (+2,64%) e Itaú Unibanco PN (+1,76%), principais papéis negociados no exercício, foram também os mais negociados hoje e os que mais contribuíram para impulsionar o índice.

Até o início da tarde, o Ibovespa já havia percorrido o terreno positivo e o negativo, ao sabor de influências externas. As bolsas de Nova York tiveram um pregão de instabilidade, influenciadas, entre outros fatores, pelos relatos de que o presidente Donald Trump irá prosseguir com as tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses. Foi nesse ambiente que o Ibovespa registrou mínimas, após as 13h, até os 74.444,78 pontos (-0,32%). O rompimento do suporte dos 75 mil pontos gerou uma recuperação gradativa, iniciada pelos papéis da Vale, e houve um posterior descolamento de Nova York.

A recuperação das ações, no entanto, não escondeu a cautela do investidor ante o cenário eleitoral indefinido. É esperada para perto das 19h a divulgação da pesquisa de intenções de voto do Datafolha. Será o primeiro levantamento de um grande instituto de pesquisas após o PT ter formalizado Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, como candidato à Presidência, no lugar de Luiz Inácio Lula da Silva. Para a próxima semana, já estão marcadas as divulgações das pesquisas CNT/MDA, na segunda-feira, e Ibope/Estadão/Rede Globo, na terça.

"O cenário eleitoral está cada vez mais complexo, com Jair Bolsonaro em uma zona de indefinição muito grande, sem capacidade de gerir sua campanha, e em meio a diversos ruídos em relação ao futuro de sua campanha", disse Shin Lai, estrategista da Upside Investor. 

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