EFE/HAYOUNG JEON
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Após Brexit, mercado corta previsão para PIB britânico neste ano e em 2017

Previsão para atividade econômica do Reino Unido caiu de 2,1% para 0,4%; presidente da Comissão Europeia sinalizou que Reino Unido não poderá ter livre acesso ao mercado único sem aceitar integralmente o princípio da livre circulação de trabalhadores

Fernando Nakagawa,correspondente, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2016 | 12h11

LONDRES - Uma pesquisa realizada pela consultoria britânica Consensus Economics mostra que, após o resultado do plebiscito da semana passada, o mercado financeiro cortou as previsões para o crescimento da economia do Reino Unido. Para 2016, a expectativa foi reduzida em 0,5 ponto porcentual. Para 2017, o efeito negativo do Brexit tende a ser ainda mais intenso e a previsão de expansão da atividade foi reduzida em 1,7 ponto. A inflação, ao contrário, sobe. Os números para o crescimento da zona do euro também foram revisados para baixo. 

Dez dias antes do plebiscito britânico, a pesquisa da Consensus Economics, que consultou grandes instituições financeiras, empresas, consultorias e acadêmicos, indicava expectativa de crescimento da economia britânica em 1,9% em 2016. Ontem, a mesma consulta mostrava previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,4%. Para 2017, o efeito é mais visível e a estimativa caiu de 2,1% para 0,4%.

O cenário também aponta para aceleração dos preços. O mercado elevou a previsão de inflação em 2016 de 0,6% para 0,8% em 2016. Para o próximo ano, os preços devem acelerar e as previsões passaram de 1,6% para 2,2%. A inflação ganha força diante da desvalorização da libra esterlina na comparação com as demais moedas, o que encarece itens importados e preços determinados por mercados internacionais como energia e petróleo.

A economia da zona do euro também será prejudicada, prevê o mercado. Analistas consultados pela consultoria reduziram a expectativa de crescimento do PIB da região em 2016 de 1,6% para 1,5%. Para 2017, as previsões de crescimento da atividade da zona do euro diminuíram de 1,6% para 1%. Entre as grandes economias da região, Itália e Espanha tendem a ser as mais prejudicadas, com diminuição da previsão de crescimento de 0,5 ponto cada em 2017.

No caso da inflação europeia, no entanto, o impacto do Brexit tende a ser marginal. Para 2016, a expectativa dos economistas subiu ligeiramente de 0,2% para 0,3% na pesquisa pós-Brexit. Para 2017, a previsão de alta dos preços não foi alterada e segue em 1,3%.

Livre circulação. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse que as discussões desta quarta-feira, 29, na reunião de cúpula da União Europeia levaram a um acordo de que o Reino Unido não poderá ter livre acesso ao mercado único sem aceitar integralmente o princípio da livre circulação de trabalhadores.

Vinte e sete líderes da UE se reuniram mais cedo em Bruxelas, sem a presença do primeiro-ministro britânico, David Cameron. Na semana passada, a maioria do eleitorado do Reino Unido votou pelo rompimento do país com a UE, num processo conhecido como "Brexit".

"O que importa é que os 27 expressaram a visão.de que não haverá mercado interno 'a la carte'. Então, os que quiserem ter livre acesso ao nosso mercado interno terão primeiro de implementar os quatro pontos de liberdade, sem exceção, e sem nuances."

Segundo o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, os 27 líderes da UE voltarão a se reunir em 16 de setembro em Bratislava, capital da Eslováquia, sem a presença do Reino Unido, para retomar o diálogo sobre o Brexit.

Juncker também confirmou que vai se reunir com a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon. Ela está em Bruxelas para explorar formas de manter os escoceses no mercado único. A premiê também já declarou que a vitória do Brexit pode levar a Escócia a realizar um segundo plebiscito sobre sua independência.

"Eu vou ouvir cuidadosamente o que a primeira-ministra tem a dizer, mas não temos a intenção de interferir num processo interno dos britânicos. Não é nosso dever e não é nossa intenção", declarou Juncker./ COM INFORMAÇÕES DA DOW JONES NEWSWIRES

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