Após Copom, juros seguem sem direção comum

BC elevou a Selic em 0,75 ponto porcentual, para 9,50% ao ano

29 de abril de 2010 | 10h36

O mercado de juros futuro abriu sem direção comum definida nos contratos de depósitos

interfinanceiros (DI) hoje, dia seguinte à decisão do Comitê de Política Monetária, que elevou de 8,75% anuais para 9,50% ao ano a taxa básica de juros (Selic), ontem. A elevação, com placar unânime, provou a autonomia do Copom em tentar retomar as rédeas para assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas. No mercado de juros futuros, a decisão já era prevista, mas deve motivar suavização da inclinação positiva da curva, com acréscimo de prêmios aos contratos com vencimentos mais curtos e retirada de prêmios nos contratos com

vencimentos mais longos.

 

Além da incerteza sobre se o ciclo de alta dos juros terá de ser mais prolongado, dado o cenário da economia doméstica, o mercado tem hoje o leilão semanal do Tesouro como argumento para se empenhar em manter taxas mais sustentadas nos contratos longos que servem como travas para os títulos vendidos pelo Tesouro.

 

"O BC sinaliza que deve optar por um ciclo mais breve de alta dos juros e pode começar a sinalizar 1 ponto porcentual para a próxima reunião", comentou um operador de uma importante corretora de São Paulo. "Com o 0,75 ponto porcentual, em uma decisão unânime, o BC evitou uma explosão das expectativas para a inflação", disse Luiz Eduardo Portella, do Banco Modal, para quem o calendário eleitoral não deve gerar uma pausa no ciclo de aperto monetário no encontro de outubro.

 

Para Nick Chamie, estrategista do banco de investimentos RBC Capital, o ajuste de ontem motivou uma revisão de seus prognósticos. "Nós revisamos nossas previsões para incorporar um aumento de 0,75 ponto porcentual da Selic nos próximos três encontros do Copom (junho, julho e agosto), com pausa em outubro no meio das eleições, e com um aumento final de 0,50 ponto porcentual da Selic em dezembro, que terminaria o ano em 12,25%", escreveu Chamie. A previsão anterior do grupo era de alta de 0,50 ponto porcentual distribuídas ao longo de abril, junho, julho, agosto/setembro e dezembro, quando a Selic iria para 11,25%.

 

Para o economista do Santander para Brasil, Alexandre Schwartsman, tudo continua como antes. Além de ter sido um dos defensores do 0,75 ponto porcentual de aperto monetário no encontro de ontem, o economista reiterou a previsão de que a Selic chegará a 12% em dezembro, com dose de elevação de 0,75 ponto porcentual em junho, mais outros três movimentos de 0,50 ponto porcentual e uma elevação final de 0,25 ponto porcentual em dezembro.

 

Hoje, os dados do mercado de trabalho mostraram que a taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País subiu para 7,6% em março, ante 7,4% em fevereiro. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que iam de 7,2% a 7,8%, e ficou em linha com a mediana, de 7,6%. O pequeno avanço da taxa já era esperado pela junção do período sazonal - o que pesa negativamente no dado - e do momento bastante aquecido da economia, o que tende a atrair mais pessoas de volta ao exercício da procura de empregos.

 

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), divulgado mais cedo, subiu 0,77% em abril, após apresentar aumento de 0,94% em março. A taxa mensal ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, que esperavam um resultado entre 0,55% e 1,01%, mas foi superior à mediana das projeções (0,65%).

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