Após decisão da Corte americana, taxa de risco da Argentina dispara para 850 pontos

O nível argentino só é comparado aos países em crise, como a Ucrânia, de 749 pontos básicos, e a Venezuela, de 962 pontos básicos

Marina Guimarães e Ariel Palácios, Agência Estado

17 de junho de 2014 | 12h34

BUENOS AIRES - A Bolsa de Buenos Aires acentua queda na abertura dos negócios nesta terça-feira, 17, como resposta à decisão negativa da Corte Suprema de Justiça dos Estados Unidos em processo contra a Argentina. O índice Merval recuava, há pouco, 2,68%, aos 7.040,93 pontos. Os títulos públicos também ampliavam perdas, como o Boden (-0,15%), o Bonar 2017 (-1,19%), o Discount  em dólares (-0,61%), o Par em dólares (-1,63%) e o Pro 12 (-1,64%). A taxa de risco país, medido pelo JP Morgan, subia 15,33%, aos 850 pontos. 

Para se ter uma ideia da elevação, entre os demais países da região, o Brasil verificava uma taxa de 208 pontos. O nível argentino só é comparado aos países em crise, como a Ucrânia (749 pontos básicos) e a Venezuela (962 pontos básicos). 

Os custos de proteção contra a inadimplência da dívida pública também aumentaram depois do discurso que a presidente Cristina Kirchner realizou ontem à noite, em cadeia nacional de rádio e TV. Ela acusou a decisão da justiça americana de validar uma "extorsão" por parte dos fundos "abutres". 

O CDS (Credit Default Swaps) subiu para 25,18 pontos porcentuais, de 22,32 pontos porcentuais, de acordo com a Markit. O câmbio oficial abriu estável em 8,10 (compra) e 8,15 (venda), enquanto o paralelo dispara 2,11%, a 12 (compra) e 12,10 (venda). Os mercados esperam ansiosos pela mensagem do ministro de Economia, Axel Kicillof, marcada para às 18 horas, para saber se o governo pretende acatar a decisão da justiça americana e pagar o grupo de credores de títulos não reestruturados, liderados por NML Capital. 

Processo. Em dezembro de 2001, Adolfo Rodríguez Saá, em sua breve (uma semana) presidência provisória decretou o calote de US$ 81 bilhões da dívida pública com os credores privados em meio aos aplausos frenéticos de todo o Congresso Nacional argentino. A Argentina protagonizava o maior calote da História mundial moderna.

Em 2005 o então presidente Néstor Kirchner fez uma reestruturação da dívida que estava em estado de calote. No entanto, quase 25% dos credores não aceitaram a troca de bônus e ficaram de fora. Na época, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, indicou que a reestruturação estava "fechada para sempre" e que não haveria uma segunda oportunidade para os credores que haviam ficado de fora. O Parlamento aprovou a "lei ferrolho", que impedia uma nova reestruturação.

Após meia década tentando voltar aos mercados sem sucesso (somente o presidente venezuelano Hugo Chávez adquiria eventualmente bônus argentinos) em 2010 a presidente Cristina Kirchner deu marcha a ré na promessa de nunca mais negociar com os "holdouts" e convocou uma nova reestruturação para incluir os credores remanescentes. 

A maior parte dos credores remanescentes aderiu à troca de títulos. No entanto, 7% dos credores rechaçaram a reestruturação e continuaram insistindo nos tribunais internacionais. Atualmente são o pesadelo da presidente Cristina na reta final de seu mandato.

Ontem, a Corte Suprema de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira, 16, que recusa o apelo do governo da presidente Cristina Kirchner para revisar duas determinações da Justiça americana tomadas em 2012 em primeira e segunda instância que ordenam ao governo da presidente Cristina Kirchner a pagar US$ 1,33 bilhão aos "holdouts".

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