Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Pesquisas eleitorais fazem Bolsa fechar em queda de 2,3%, maior recuo em dois meses

Resultados dos levantamentos de Datafolha e Ibope também fizeram o dólar encerrar a terça-feira em alta de 1,77%, a R$ 4,1555, depois de se aproximar de R$ 4,18 pela manhã

Karla Spotorno e Denise Abarca, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2018 | 10h09
Atualizado 11 Setembro 2018 | 22h01

Os ativos brasileiros reagiram negativamente aos resultados das pesquisas de intenção de votos de Datafolha e Ibope. O dólar à vista fechou em alta de 1,77%, a R$ 4,1555, enquanto o Ibovespa, principal índice de ações do País, terminou em queda de 2,33%, aos 74.656,51 pontos. As pesquisas eleitorais contrariaram as expectativas de enfraquecimento da esquerda diante da maior exposição midiática e suposto fortalecimento de Jair Bolsonaro (PSL) após o ataque a facada em Juiz de Fora.

O valor de fechamento do dólar ficou longe da máxima de R$ 4,1792 atingida ainda pela manhã. Mesmo assim, esse foi o segundo maior valor nominal de fechamento da moeda americana no País desde o Plano Real. Em 21 de janeiro de 2016, o dólar fechou a R$ 4,1720.

A queda do Ibovespa foi puxado por expressivas perdas em papéis do setor financeiro, como Itaú Unibanco e Banco do Brasil. Foi o maior recuo desde 11 de julho de 2018, quando o Ibovespa caiu 2,62%.

"O dia foi bem turbulento: a guerra comercial volta a ter um pouco de impacto mas o grande fator é local, com as pesquisas de segunda-feira, sobretudo a do Datafolha", disse Renan Sujii, estrategista de renda fixa da GS Research. Na pesquisa, ele destaca entre os pontos negativos para as aspirações do mercado "o crescimento bem incipiente de Alckmin", a "desidratação de Marina, com votos indo para Haddad e Ciro" e "aumento do risco Ciro", além da oscilação do candidato Jair Bolsonaro (PSL), que foi positiva mas dentro da margem de erro.

A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02376/2018, mostrou que Bolsonaro oscilou de 22% em agosto para 24% hoje e quatro candidatos estão tecnicamente empatados na segunda colocação, no limite da margem de erro, que é de dois pontos porcentuais. Ciro Gomes (PDT) subiu de 10% para 13%. Marina Silva (Rede) caiu de 16% para 11%. Geraldo Alckmin (PSDB) oscilou de 9% para 10%. Fernando Haddad cresceu de 4% para 9%. Haddad foi oficializado como o substituto do ex-presidente Lula como candidato do PT à Presidência nesta tarde, o que era amplamente esperado pelo mercado.

Nas simulações de segundo turno, Jair Bolsonaro perde para Ciro, Alckmin e Marina Silva. Contra Haddad, o deputado federal aparece tecnicamente empatado.

Em comentário enviado a clientes, o UBS avaliou hoje que os preços dos ativos não refletem o resultado mais provável do primeiro turno da eleição. A avaliação do banco é que, a exemplo do que aconteceu nas eleições de 2002, o pico de volatilidade acontecerá nas semanas entre o primeiro e o segundo turno.

O sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, destacou o fato de o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) avançar pouco nas intenções de voto. "A subida de 1 ponto do Alckmin foi boa, mas não empolga", diz Petrassi, referindo-se a resultado do Datafolha. O tucano é o candidato com mais tempo no horário eleitoral em rádio e TV da corrida presidencial, iniciado no dia 1.º de setembro.

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