Werther Santana / Estadão
Werther Santana / Estadão

Após divulgar seu balanço, Petrobrás entra na carteira de corretoras

Além dos números divulgados, analistas apostam em boas perspectivas para a estatal em 2019, principalmente com venda de ativos e redução do endividamento; expectativa de alta dos investidores para a Bolsa cai ao piso em 3 meses

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2019 | 04h00

Após a divulgação dos balanços do quarto trimestre de 2018, a Petrobrás continua ou foi incluída nas carteiras recomendadas das corretoras para a próxima semana, ou para o mês de março. Além dos números divulgados, os analistas apostam em boas perspectivas para 2019, principalmente com venda de ativos e redução do endividamento.

A equipe do Santander ressalta que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação a amortização) da petroleira ficou 5% acima das estimativas do banco, “o que revela que a companhia conseguiu entregar um resultado satisfatório mesmo com as adversidades de um petróleo em queda no quarto trimestre de 2018”.

Outro ponto destacado pelo Santander é o nível de alavancagem, medido pela relação dívida líquida/Ebitda, que caiu de 2,9 vezes para 2,3 vezes. “Por fim, o foco em venda de ativos e investimentos em áreas de alto retorno foi reiterado pela atual administração, o que nos dá confiança de que a Petrobrás está no caminho correto para entregar melhores resultados trimestrais à frente”, diz o banco.

Para a Mirae Asset, o resultado da Petrobrás no quarto trimestre veio em linha com o esperado, e o lucro líquido de R$ 25,8 bilhões em 2018 reverteu o prejuízo de R$ 446 milhões do ano anterior. “O foco da empresa deverá ser a manutenção da atual política de preços, redução do endividamento, nenhum subsídio para o óleo diesel, expectativa de solução sobre a cessão onerosa no curto prazo e desinvestimentos. O papel tem bom potencial para continuar se valorizando em Bolsa”, dizem os analistas.

A Terra Investimentos também manteve Petrobrás PN em sua carteira para a próxima semana. O ponto mais destacado pela equipe de analistas é o “intenso comprometimento para redução da dívida”. Nesse sentido, a Terra destaca os vários ativos elegíveis para venda, como TAG e Braskem. “Mas a arrecadação dependerá do modelo a ser adotado e variáveis vigentes durante as negociações, destaca a Terra, lembrando ainda que “riscos geopolíticos no mundo mantêm pressão de alta no Petróleo”. A Terra lembra ainda a cessão onerosa, que deve ter influência no curto prazo.

Petrobrás PN está presente também nas carteiras do BB Investimentos, Bradesco BBI, Coinvalores e Modalmais.

No caso do BB-BI, Petrobrás PN foi a única ação mantida na carteira para a semana. Entraram Alupar Unit, B3 ON, RD ON e Totvs ON. No Bradesco BBI, além de Petrobrás PN, entraram também Suzano ON e Iguatemi ON.

Na Guide Investimentos, houve uma única troca, de Weg ON por Marcopolo PN. Na Mirae, entraram Iochpe Maxion ON, Randon PN e Santander Brasil Unit.

Na Modalmais entraram Suzano ON e BRF ON. A Nova Futura trocou toda a sua carteira. Entraram Minerva ON, QGEP ON, Light ON, JBS ON e Qualicorp ON.

A Planner fez quatro trocas em sua carteira para a semana. Entraram MRV ON, Taesa Unit, Magazine Luiza ON e Suzano ON. O Santander fez uma única troca, com a saída de Rumo ON e a entrada de Suzano ON.

A Terra Investimentos também fez só uma troca, com saída de MRV ON e entrada de BB Seguridade ON. No caso da XP Investimentos, foi retirada Equatorial ON e houve a inclusão de AES Tietê Unit.

Termômetro

O mercado financeiro está cauteloso com o desempenho do Ibovespa na próxima semana, segundo o Termômetro Broadcast Bolsa, que tem por objetivo captar o sentimento de operadores, analistas e gestores para o comportamento do índice na semana seguinte.

Pela primeira vez em meses, a expectativa de alta para as ações deixou de ser majoritária. Entre 36 respostas, a estimativa de ganhos ficou em 33,33%, de 50,00% no levantamento anterior. A última vez em que a percepção de alta esteve abaixo de 50% foi na pesquisa referente ao período entre 12 e 16 de novembro de 2018, quando atingiu 45,15%, de acordo com a série histórica.

Por outro lado, a perspectiva de perdas para o índice na semana que vem saltou de 11,54% para 30,56%, enquanto a de estabilidade passou de 38,46% para 36,11%. A bolsa fechou a semana com queda acumulada de 3,35%.

A próxima semana começa para o mercado doméstico só na Quarta-feira de Cinzas, ainda assim em esquema de meio pregão, com a B3 iniciando as operações às 13h. Em função do carnaval, não haverá negócios na segunda nem na terça, enquanto no exterior os mercados funcionam normalmente.

A agenda contempla o PIB da zona do euro no quarto trimestre e a reunião do Banco Central Europeu (BCE). “Além de manter a política monetária acomodatícia, o BCE deverá anunciar uma linha de financiamento de longo prazo para os bancos comerciais. O intuito é mitigar a desaceleração econômica observada desde o segundo semestre do ano passado”, avalia o Bradesco, em relatório. Nos Estados Unidos, os destaques são o relatório de emprego referente a fevereiro e o Livro Bege.

Nos próximos dias, saem ainda dados econômicos da China, como de inflação e comércio exterior. Os próximos capítulos das negociações comerciais com os Estados Unidos também seguirão no radar.

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