Após encostar em R$ 3, dólar perde força e fecha a R$ 2,979

Moeda americana não chegava a este patamar desde agosto de 2004; mercado reage aos sinais de maior dificuldade e possível atraso na aprovação do ajuste fiscal

Claudia Violante, O Estado de S. Paulo

04 de março de 2015 | 09h50

Atualizado às 16h40

A instabilidade política gerou pressão sobre os mercados domésticos e elevou o valor do dólar mais um pouco, renovando os maiores preços em mais de dez anos. O governo evita falar em crise depois que o presidente do Senado, Renan Calheiros, devolveu a MP 669, que reduz o benefício fiscal da desoneração da folha de pagamentos. Mas o mercado não comprou essa versão e tratou de se proteger adquirindo dólar, que superou 2% de alta a maior parte da sessão. A trajetória de ascensão da moeda no exterior corroborou esse movimento. O dólar à vista terminou o dia em alta de 2,06%, a R$ 2,9790, maior preço desde 19/8/2004 (R$ 2,9880).

Nesta tarde, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência da República, Pepe Vargas, minimizou qualquer possibilidade de crise entre governo e Congresso. Segundo ele, o governo não tem intenções de ver o Congresso fragilizado. "Muito antes pelo contrário. Quem está em um governo, o que mais quer é estabilidade. Instituições democráticas estáveis são o objetivo de qualquer governo. E obviamente que o nosso governo tem o maior interesse possível de que a Câmara e o Senado tenham estabilidade política. Não temos interesse algum na fragilização da Câmara e do Senado", comentou o ministro depois de participar de duas reuniões no Palácio do Planalto com os líderes da base aliada na Câmara e no Senado.

Ele se referia à lista do procurador-geral, Rodrigo Janot, encaminhada ao STF, com o nome de parlamentares envolvidos nas irregularidades investigadas pela Operação Lava Jato. Segundo Vargas, Calheiros devolveu a MP por entender que aumento de impostos deve ser feito por projeto de lei e não por medida provisória. Mesmo indo contra o ajuste fiscal do governo, ao dificultar e atrasar a sua aprovação pelo Congresso, o ministro da SRI negou que o governo considere Calheiros um adversário.

Apesar do discurso oficial, Calheiros quis passar um recado ao governo por não ver seus interesses atendidos. Ele ainda teria dado 'canseira' na presidente ao não atender seus telefonemas na noite de ontem. O político só falou com ela após a presidente já ter feito duas tentativas: na terceira, ela ligou para um líder próximo ao senador que lhe passou o telefone.

Vale lembrar que o nome do presidente do Senado estaria na lista de Janot, segundo fontes. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou, em sua delação premiada, que Calheiros recebeu propina em contratos da Diretoria de Abastecimento e que, na prática, os pagamentos ao peemedebista "furaram" o teto de 3% estabelecido como limite dos repasses a políticos no esquema de cartel e corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

O governo continua reafirmando que conseguirá atingir o superávit primário de 1,2% do PIB - Pepe Vargas disse isso e também o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante almoço em São Paulo. Apesar disso, o mercado segue descrente e tratou de se posicionar em dólar.  

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