Após euforia, petroquímicas têm fase de baixa

Em 2004, as ações da Suzano Petroquímica tiveram alta de 119%, as do Unipar de 127% e as da Braskem de 100%, contra o índice Ibovespa de 18%. A alta, puxada pela valorização dos termoplásticos em especial no segundo semestre daquele ano, retratava muito mais o temor dos transformadores de resinas em nível mundial sobre o futuro das cotações do barril de petróleo, e de seu derivado nafta, principal matéria-prima petroquímica, do que uma explosão de demanda por resinas, sustentável no longo prazo. Passado o impacto inicial da subida do preço do óleo cru, e a adaptação à nova realidade, transformadores de todo o mundo pararam de armazenar resinas, passando a consumir seus estoques. A queda das vendas de produtos petroquímicos e conseqüente recuo de preços frente à progressão do preço do petróleo, passou a pressionar as margens do segmento, do segundo trimestre de 2005 para cá. Novamente, o movimento refletiu-se na bolsa brasileira. No entanto, no Brasil, mais fortemente, uma vez que a demanda local chegou a recuar ante expectativas iniciais de que cresceria entre 7% e 12%. E ainda, frente ao crescimento do consumo americano e asiático. A sobrevalorização do real contribuiu para o aumento das importações de manufaturados e resinas, e piorou a rentabilidade das exportações, que aumentaram devido à elevação dos excedentes - causada pela baixa do mercado doméstico. O resultado foi que, no ano passado, as ações da Suzano Petroquímica caíram 26%, as do Unipar 37% e as da Braskem 45%. Embora neste início de ano a desvalorização continue: Suzano Petroquímica, -20,94%; Unipar, -7,4%; e Braskem -15,73%, frente a variação acumulada pelo Ibovespa de +22,31%. O analista de investimentos da Itaú Corretora de Valores, Gilberto Pereira de Souza, diz que as ações das petroquímicas brasileiras foram mais depreciadas do que as das multinacionais do segmento - que também viram cair os preços de seus papéis, no período - devido à apreciação do real frente ao dólar. Diante deste cenário, Suzano, Braskem e Unipar sustentam que a tese do "fly up" se mantém, porque as margens atuais ainda são maiores que as de três anos atrás para mais. "A margem, hoje, é melhor do que há dois anos", compartilha Gilberto Pereira de Souza. Os executivos da indústria defendem também que em petroquímica os investimentos são de longo prazo assim como seu retorno. "Continuamos acreditando nos ciclos de alta no médio e longo prazos, tanto que não revertemos nenhuma decisão tomada sobre novos investimentos", afirma João Batista Nogueira, diretor-financeiro e de Relações com Investidores da Suzano Petroquímica. Ele defende que nem todo investidor aposta no mercado de capitais de olho na volatilidade, em ganhos no curto prazo. "Há investidores de longo prazo que aplicam em ações porque dão retorno maior do que operações de renda fixa", considera o executivo. Ou seja, o paradoxo do investimento para ganho no curto prazo, tradição do mercado de capitais, versus o de retorno no longo prazo, nova visão de investidores que antes se remuneravam com taxas de juro real muito mais altas, criaria um novo paradigma para as aplicações em bolsa? "Não há mudança de paradigma: o mercado de capitais sempre atraiu investidores de curto, médio e longo prazo", avalia o analista de investimentos e sócio da Cenário Investimentos (administrada pela Pactual Asset), Germano Serolla. Luiz Otávio Broad, da Ágora Sênior, completa, dizendo que o problema da petroquímica é que, seja no curto, médio ou longo prazo, há papéis mais atrativos, tais como os da Petrobras e os da ALL Logística. "Nos próximos dois anos, outros setores estarão melhores do que a petroquímica", estima Germano Serolla. (Resumo de análise divulgada pelo AE Empresas e Setores, serviço de informações e análise de empresas, setores e ações da Agência Estado. Para obter informações sobre produtos e serviços da Agência Estado, ligue para 0800 016 1313 ou envie mensagem para comercialae@agestado.com.br)

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