Após Iguatemi, shoppings devem ganhar espaço na Bovespa

O setor de shopping centers é forte candidato a ganhar espaço na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) este ano, ainda que, dificilmente, vá ocupar o mesmo lugar galgado por construtoras e incorporadoras, na avaliação de especialistas. Quem puxa a fila neste processo é a Iguatemi Empresa de Shopping Centers, que estreou em este mês na bolsa paulista. As empresas do setor que se associaram a investidores estrangeiros e os grupos regionais deverão ser os próximos, de acordo com fontes do segmento. As fontes citam a rede gaúcha Bourbon Shopping, do Grupo Zaffari, o Shopping Center Norte, o Multiplan Empreendimentos Imobiliários e a Sonae Sierra Brasil - parceria entre o grupo Sonae Sierra e a Developers Diversified - entre aqueles que podem optar pelo lançamento de ações em bolsa para captar recursos. No ano passado, a Multiplan - dona do Morumbi Shopping, Barra Shopping e BH Shopping - anunciou que faria emissões primária e secundária na Bovespa, mas acabou optando pela entrada de um sócio estratégico, e operação não foi concluída. Em junho de 2006, a empresa canadense Cadillac Fairview, braço imobiliário do fundo de pensão dos professores de Ontario, comprou 46% da Multiplan. Outro fato importante no movimento de vinda do capital estrangeiro para o setor de shoppings, no ano passado, foi a união do Nacional Iguatemi (empresa distinta da Iguatemi Empresa de Shopping Centers) com o empreendedor norte-americano General Growth Properties (GGP), formando a joint-venture Aliansce. A Developers Diversified adquiriu 50% das participações em shopping centers do grupo português Sonae Sierra no País em 2006. A Sonae Sierra Brasil tem participação no Parque Dom Pedro, em Campinas (SP), no Boavista Shopping, Shopping Penha, Shopping Plaza Sul e Shopping Campo Limpo, em São Paulo, no Franca Shopping, em Franca (SP), no Tivoli Shopping, em Santa Bárbara D?Oeste (SP), no Shopping Metrópole, em São Bernardo do Campo (SP), e no Pátio Brasil, em Brasília (DF). Segundo notícias de mercado, o Grupo Internacional, detentor do Internacional Shopping Guarulhos, AutoShopping Guarulhos, Poli Shopping e Santana Parque Shopping (em construção), já teria contratado um banco para estruturar a operação do lançamento de ações. O Internacional informou, por sua assessoria de imprensa, que tem interesse em se expandir, mas por meio de investimentos próprios e não de abertura de capital. Os grupos estrangeiros vinham sondando empresas do setor há cerca de quatro anos, movimento que ganhou força em 2006. ?Alguns têm a intenção de investir e abrir capital, enquanto outros entraram para crescer e ficar?, diz o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Paulo Agnelo Malzoni Filho. O Brasil se tornou mais atraente aos olhos dos investidores do mercado imobiliário quando começou a ser discutida a possibilidade de o País obter a classificação de grau de investimento. O setor tem se beneficiado também do crescimento da oferta de crédito nos últimos dois anos, segundo Malzoni. Segundo o sócio da consultoria Intermart Austin, Marcos Romiti, 2007 deverá ser o ano dos IPOs (ofertas públicas iniciais, na sigla em inglês) para o setor de shoppings. ?As grandes aquisições já foram feitas?, diz Romiti. O consultor destaca que o segmento se beneficia do aumento da renda da população, que se reflete em crescimento do consumo. A expectativa de especialistas é que o setor não deixe passar a oportunidade de adquirir, em bolsa, musculatura financeira de forma mais barata. ?Quem lançar papéis vai colher bons resultados?, afirma o diretor da Brazilian Mortgages, Fabio Nogueira. A analista da Tendências Consultoria Integrada, Amaryllis Romano, lembra que os shoppings já vêm utilizando instrumentos ?modernos? de captação de recursos, como os fundos de investimento imobiliários (FIIs). Enquanto na bolsa os recursos são captados com objetivos diversos, no caso de fundos imobiliários a captação tem um objetivo específico, como a construção de um determinado shopping. A capitalização das empresas do setor por meio da bolsa terá finalidades como a ampliação de unidades, a diversificação de serviços, a expansão geográfica e a aquisição de outras bandeiras, segundo o advogado especialista em mercado de capitais do escritório Felsberg e Associados, Necker Camargos. Uma novidade no mercado de fundos de investimento imobiliário é o HG Brasil Shopping, que se distingue dos demais por não ter previamente definidos os ativos em que os recursos serão aplicados, segundo o sócio da Hedging-Griffo responsável pela área imobiliária, Alexandre Machado. Outra diferença é que a maior parte dos outros fundos imobiliários só tem um ativo em carteira. O HG Brasil Shopping tem como objetivo adquirir participações em shopping centers para exploração, principalmente, por meio de locação. As perspectivas econômicas favoráveis incentivam as apostas dos investidores no setor de shopping. A colocação de fichas em fundos imobiliários ou no mercado acionário dependerá do perfil do investidor, segundo especialistas. De acordo com o consultor da Coinvalores, Sérgio Belleza Filho, a tendência é que os mais conservadores apostem nos fundos imobiliários, cujos ganhos são mais estáveis, vinculados ao aluguel das lojas. Os mais ousados tendem a buscar na bolsa a oportunidade de maiores ganhos e liquidez.

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