Após início do leilão do BC, dólar inverte e passa a subir

Às 11h42,o dólar comercial subia 0,06%, a R$ 1,67

Cristina Canas, da Agência Estado,

27 de janeiro de 2011 | 10h05

O dólar comercial abriu o dia em queda, mas inverteu a tendência após o BC anunciar um leilão surpresa de swap reverso. Às 11h42,o dólar comercial subia 0,06%, a R$ 1,67.

A decisão da Standard & Poor''s (S&P) de rebaixar o rating (classificação de risco) do Japão de AA para AA-, com perspectiva estável, prevendo que os déficits fiscais do país continuarão elevados nos próximos anos, surpreendeu os mercados na manhã de hoje. No entanto, o impacto nos negócios foi limitado e se restringiu aos ativos do país. No resto do mundo, prevalece o ritmo dos últimos dias, ditado pelas expectativas de melhora no bloco desenvolvido e de vigor cada vez maior nos emergentes.

No Brasil, a economia mostra sinais de robustez e o País continua sendo um dos principais endereços para a entrada de recursos. Além de ter economia forte e risco baixo, o Brasil está numa situação de inflação alta e perspectivas de elevação de juros, o que só acirra o apetite do capital internacional. Hoje, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) corroborou essas expectativas de curva ascendente de juros, embora tenha ponderado que há variáveis a avaliar antes de partir para um ritmo mais agressivo, como alguns no mercado cogitavam.

"A inflação não se acalma e isso é pecaminoso. A inflação alta mantém o juro alto e as expectativas de que continuará assim. Isso atrai cada vez mais capital", diz um especialista. Ele acrescentou que, para conter a apreciação cambial, o governo terá que tomar "uma medida drástica, de gosto amargo, como a quarentena de capitais".

Sobre os leilões a termo, esse operador avalia que serão um instrumento para enxugar fluxos específicos, como foi a captação recente da Petrobras, de US$ 6,7 bilhões. Ele lembra que a empresa deve captar volume semelhante ou superior, ainda este ano, para fazer frente a investimentos.

Por isso, a percepção é de que o mercado brasileiro de câmbio continuará vivendo dias de fluxo positivo, sem força para elevar as cotações do dólar. Por sua vez, a tendência de queda da moeda norte-americana, determinada pelos fundamentos domésticos e internacionais, continua sendo amenizada pela presença do BC, com o uso dos instrumentos já criados e pela expectativa de que outras medidas ainda podem ser adotadas.

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