ARIS MESSINIS/AFP
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Após mais de um mês fechada, Bolsa de Atenas tem o maior recuo diário desde 1991

Depois de firmar acordo com credores e bancos voltarem a funcionar, Grécia reativa mercado financeiro; Bolsa chegou a cair mais de 20% na abertura dos negócios

Agência Estado e Reuters

03 de agosto de 2015 | 03h00

Atualizado às 14h35

Depois de se tonar o primeiro país desenvolvido a deixar de pagar uma dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 30 de junho, a Grécia fez um acordo com seus credores para um novo pacote de ajuda e conseguiu reabrir seus bancos, que ficaram fechados por três semanas, no último dia 20. Hoje, o país dá mais um passo na tentativa de restabelecer a normalidade econômica: reativou a Bolsa de Atenas, que ficou fechada por mais de um mês.

A Bolsa de Atenas retomou as operações nesta segunda-feira com uma violenta queda de 22,9% na abertura do pregão, mas o índice reduziu um pouco das perdas e fechou em queda de 16% - o maior recuo diário desde 1991O índice Athex caiu 16,23%, para 668,06 pontos. As negociações de algumas empresas chegaram a ser suspensas. Quase todos as ações terminaram em baixa de pelo menos 5%, com os papéis de bancos particularmente afetados. As ações do National Bank of Greece e do Piraeus Bank caíram 30%.

A forte queda indica que os investidores ainda estão preocupados com a Grécia, mesmo após o país e seus credores avançarem nas negociações de mais ajuda financeira aos gregos, em troca de medidas de austeridade. 

O mercado acionário grego estava fechado desde 29 de junho, depois de o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, anunciar que o país faria um plebiscito para consultar a população sobre as exigências que credores internacionais fizeram para liberar nova ajuda financeira a Atenas. A decisão de Tsipras repercutiu nos mercados financeiros globais e levou a Bolsa de Luxemburgo a suspender negócios com alguns bônus gregos, tanto corporativos quanto soberanos.

Operadores gregos já esperavam um dia atribulado na reestreia do mercado financeiro. A exemplo dos bancos, a Bolsa foi fechada para prevenir que investidores fugissem das incertezas que dominavam a economia do país ao transferir dinheiro para mercados mais seguros. 

"Para um mercado que estavas fechado havia cinco semanas e uma economia que está implodindo, uma queda dessa escala é o mínimo que se pode esperar", comentou Nicola Marinelli, gerente de portfólio da Pentalpha Capital, comentando a Bolsa de Atenas. "As pessoas vão buscar uma grande barganha, mas não estou certo de que é a hora de comprar."

Apesar da forte baixa, estrategistas minimizaram o movimento, dizendo não acreditar em um pânico generalizado. "A queda do Athex hoje simplesmente reflete tudo que aconteceu no mercado desde o fechamento da bolsa, em 29 de junho, e não foi pouca coisa", disse o estrategista-chefe de ações europeias do JPMorgan, Stephen Macklow-Smith.

O estrategista Frances Hudson, da Standard Life Investments, afirmou que o recuo de hoje mostra que "as coisas serão muito duras para a Grécia", mesmo com o acordo com os credores.

Fragilidade. O mercado de ações foi fechado pouco antes de controles de capital serem impostos para segurar uma fuga de euros do país. Os bancos comerciais só mantiveram os caixas eletrônicos em operação. Como a situação das instituições era muito frágil, o governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras determinou que cada cidadão poderia sacar, no máximo, € 60 por dia. 

Recessão. A situação da economia grega continua, porém, no limite do caos. A Comissão Europeia prevê que a Grécia voltará à recessão em 2015, com contração de 2% a 4%. As medidas de austeridade que o país vem implantando ao longo dos últimos cinco anos para desafogar sua dívida pública considerada insustentável – equivalente a 177% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional – não conseguiram surtir o efeito de recuperar a economia. 

Estima-se que o PIB grego tenha encolhido cerca de 25% desde 2010. O desemprego no País está ao redor de 25%, enquanto o número de jovens sem trabalho chega a 50% da população entre 18 e 24 anos.

Por várias semanas, pairou a dúvida se a Grécia continuaria na zona do euro. O tema dividia líderes das maiores economias da Europa. 

Ontem, em entrevista ao jornal econômico alemão Handelsblatt o ministro das Finanças francês, Michel Sapin, criticou o colega Wolfgang Schaeuble, responsável pelas finanças da Alemanha, por sugerir que a Grécia deveria sair temporariamente da zona do euro, mas disse que o relacionamento entre franceses e alemães não está enfraquecido, apesar de considerar que Schaeuble agiu errado nesta questão.


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