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Após oscilar, dólar volta a subir e fecha a R$ 3,12

Moeda norte-americana teve valorização de 0,51% diante da expectativa do aumento dos juros nos EUA

Claudia Violante, Agência Estado

11 de março de 2015 | 10h03

(Atualizado às 17h18)

Após uma manhã de volatilidade, o dólar firmou-se em alta durante a tarde no Brasil, alinhando-se ao movimento externo, e seguiu nessa trajetória até o fechamento. O avanço da moeda norte-americana ante a maior parte das demais divisas globais decorre da expectativa de aumento dos juros pelo Fed num horizonte de curto prazo. O dólar no exterior só não subiu ante a lira turca e o peso mexicano, já que nesses países o recuo resultou de ações tomadas nesta terça-feira e quarta-feira pelos BCs dos países para conter a derrocada de suas moedas.

O dólar comercial terminou o pregão em alta de 0,51%, a R$ 3,1250. Na mínima, marcou R$ 3,088 (-0,68%) e, na máxima, R$ 3,1390 (+0,96%). No mês, já sobe 9,42% e, no ano, 17,70%. No mercado futuro, a moeda para abril avançava 0,77% às 16h39, para R$ 3,1440.

Pela manhã, o ambiente mais calmo no cenário político no Brasil abriu espaço para a moeda trabalhar em baixa, realizando parte dos ganhos recentes. A trégua adveio do acordo entre governo e Senado para uma nova MP sobre o reajuste da tabela do imposto de renda. Ficou acertado um aumento escalonado, com quatro novas alíquotas, que valerão para o IR deste ano e significarão uma perda de R$ 6 bilhões em receita para o cofre do Tesouro.


Em tempos de ajuste fiscal, a cifra é considerável, tendo em mente que a economia do Brasil deve ter um desempenho pífio em 2015. Apesar disso, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o governo vai conseguir absorver o impacto e, mesmo assim, reafirmou a meta de 1,2% para o superávit deste ano.

Essa trégua entre as partes - depois da animosidade criada com a inclusão do nome de Renan Calheiros, presidente do Senado, na lista dos investigados pela Lava Jato e que devem ter inquérito aberto no STF e também depois que devolveu para o Executivo uma das MPs do ajuste fiscal - acabou tranquilizando um pouco o mercado, que viu aí talvez uma brecha para o governo retomar a governabilidade.

Nas palavras do Financial Times, em análise nesta quarta-feira, o mercado doméstico está 'silenciosamente otimista' com o fator Levy, que se traduz na esperança de que o ministro da Fazenda vai conseguir virar o jogo e executar a meta a que se propôs. Esse otimismo, no entanto, não deve ser linear em tempos de dificuldades com o Congresso.

Nesta tarde, o governo tem um embate forte na Câmara, que deve votar a extensão das regras de reajuste do salário mínimo para o regime geral da Previdência. Se aprovado, será mais um baque para as contas públicas. É por essas e outras que muitos agentes continuam prevendo dólar pressionado. O Credit Suisse estimou uma moeda a R$ 3,35 em três meses e, em 12 meses, para R$ 3,50.

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