Após ptax, dólar pode cair

Já faz quase 20 dias que o Banco Central (BC) não realiza leilão de swap reverso no câmbio e ontem, pelo quarto pregão seguido, não houve compra de dólar pela instituição no mercado à vista. Apesar da saída estratégica, a moeda norte-americana estranhamente tem mais subido do que caído nestas últimas semanas. O ponto de partida para a atual onda de valorização foi dado pelo comunicado mais agresssivo da última reunião do Federal Reserve (Fed), o BC americano, que sinalizou a continuidade do aperto monetário nos EUA, voltando a colocar em xeque o fluxo do capital estrangeiro para os emergentes. Com o dólar muito barato, empresas e tesourarias de bancos não tiveram dúvidas em reduzir suas posições vendidas em câmbio, o que pode ser compreendido como um movimento preventivo, natural e de baixo custo, ainda que o fluxo financeiro não seja a maior garantia para a estabilidade da taxa de câmbio. São as exportações, que continuam a sustentar um desempenho excepcional, a verdadeira blindagem do dólar. Mesmo as incertezas geradas pela troca de comando no Ministério da Fazenda, com a saída de Antonio Palocci e a entrada de Guido Mantega, provocaram movimentos muito pequenos no câmbio, em mais uma prova de que os fundamentos sólidos da economia brasileira não dão chance à moeda americana contra o real. A atual onda de alta, no entanto, coincidiu com os interesses do vencimento do dólar futuro de abril, na próxima segunda-feira, dia 1, que pode ter levado a uma aposta mais forte nos ganhos. Daí, apesar da acomodação dos cenários interno e externo, o dólar ter se sustentado em alta nos últimos dias, muito provavelmente atendendo ao jogo da ptax (taxa média do dólar comercial), que será formada hoje para a liquidação dos contratos na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Seja como for, analistas do mercado cambial têm insistido que a tendência do dólar continua sendo de queda. A única possibilidade de uma taxa de câmbio ajustada em níveis pouco mais elevados do que os atuais seria uma surpresa na condução da política monetária, com a decisão de uma aceleração no ritmo da queda da taxa Selic. Após subir 2,5% nos últimos três dias, o dólar comercial reduziu a volatilidade e operou em baixa o dia todo, fechando em queda de 1,17%, a R$ 2,188. Com a transição no ministério da Fazenda melhor digerida e a ausência de rumores sobre novas denúncias em revistas semanais ou divulgação de pesquisa eleitoral no fim de semana, o mercado voltou a olhar para os fundamentos domésticos positivos e decidiu reverter em parte as compras. Esse movimento foi estimulado ainda pelo recuo do risco Brasil e das cotações externas do dólar ante o euro e iene.

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