Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Após quatro altas seguidas, dólar cai para R$ 3,42 com ação do BC

Moeda cedeu às operações para conter o estresse gerado pelo 'efeito Trump'; Bolsa subiu 1,86% e retomou patamar dos 60 mil pontos

Paula Dias, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2016 | 17h46

O clima menos tenso em relação às mudanças esperadas com a vitória de Donald Trump na eleição presidencial nos Estados Unidos se refletiu diretamente no pregão da Bovespa, que teve um dia de recuperação após o feriado da Proclamação da República. A Bolsa brasileira subiu 1,86%, puxada por Petrobrás e bancos, e retomou o patamar dos 60 mil pontos, perdido no último dia 10 de novembro após a confirmação do resultado do pleito norte-americano. 

Também o dólar reagiu à tensão menor e, com a ajuda do Banco Central, recuou após quatro sessões em alta. A moeda americana fechou cotada a R$ 3,4250, em baixa de 0,56%, após uma forte atuação do BC para conter o estresse no mercado de câmbio. "O BC previu uma volta volátil do feriado e por isso o leilão de novos contratos de swap tradicional", avaliou o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado.

A divisa caiu ante o real a despeito de, no exterior, subir ante várias divisas de países emergentes, como o rand sul-africano, peso chileno e peso mexicano. O índice do dólar diante uma cesta de moedas atingiu nesta manhã a máxima em 14 anos.

Na noite de segunda-feira, o BC anunciou intervenção maior do mercado de câmbio para este pregão, já que na véspera esteve fechado pelo feriado da Proclamação da República.

O BC vendeu todos os 10 mil novos swaps cambiais tradicionais ofertados, equivalentes à venda futura de dólares, e também colocou todos os 20 mil contratos para rolagem dos swaps que vencem em 1º de dezembro.

"Houve uma piora rápida e significativa após a vitória de Trump e a porta de saída era pequena para a fuga rápida do fluxo. A ação do BC provendo liquidez ajudou", comentou o economista da corretora Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira.

"Me parece ser um dia de ajuste com a ajuda do BC e do Tesouro. Seguimos muito atentos ao cenário internacional", emendou.

A ação do BC veio em conjunto com a do Tesouro Nacional que, além de suspender os leilões de venda de LTN e NTN-F desta semana, anunciou leilões diários de compra de Notas do Tesouro, Série F (NTN-F) até sexta-feira, também devido à volatilidade dos mercados.

A atuação coordenada veio após a forte volatilidade nos mercados financeiros, com os investidores temerosos que a política econômica de Trump seja inflacionária e, assim, obrigue o Federal Reserve, banco central norte-americano, a elevar mais os juros na maior economia do mundo, com potencial para atrair recursos aplicados hoje em outros mercados, como o brasileiro.

Nesta manhã, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmou que o câmbio flutuante tem funcionado e que não há patamar de câmbio para a autoridade monetária.

No final da semana passada, Ilan já havia afirmado que a autoridade monetária continuaria atuando no mercado de câmbio, ressaltando que o estoque de swaps tradicionais é menor hoje em dia, em cerca de US$ 25 bilhões, o que dá "conforto" para a ação do BC.

Mercado de ações. O Índice Bovespa encerrou os negócios aos 60.759,31 pontos. A nova sessão de recuperação de perdas recentes foi atribuída a um ajuste das ações da Petrobrás aos seus ADRs na Bolsa de Nova York, que tiveram ganho firme na véspera enquanto o mercado brasileiro permanecia fechado. Já as ações da Vale andaram na contramão e caíram expressivamente, com uma realização de lucros deflagrada pela queda do preço do minério na véspera. As turbulências do cenário político doméstico foram monitoradas, mas não chegaram a influenciar os negócios.

Durante o feriado de 15 de novembro, os ADRs da Petrobrás haviam registrado altas de 4,39% (ON) e de 5,47% (PN), alavancados pela alta dos preços do petróleo que, por sua vez, refletiam expectativas mais otimistas em relação a um acordo de países pela redução da produção da commodity. O mercado também recebeu bem as declarações do presidente da estatal, Pedro Parente, que em palestra em Nova York afirmou que a empresa permanecerá fiel à meta de desinvestimentos. Ao final do pregão desta quarta-feira, 16, Petrobrás ON e PN fecharam em alta de 4,18% e 5,29%, respectivamente.

Mais importante grupo de ações do Ibovespa (devido à forte participação na composição do índice), os bancos foram fundamentais para a alta da Bolsa. Composto apenas por ações de bancos, bolsas, previdência e seguros, o Índice Financeiro fechou com alta de 3,10%, bem superior à do Ibovespa. Nesse grupo, despontaram Banco do Brasil ON (+6,47%), Santander units (+5,38%) e Itaú Unibanco PN (+4,94%). 

A alta da Bolsa teria sido maior não fosse o desempenho negativo de Vale ON (-4,95%) e Vale PNA (-7,36%), que também puxaram para baixo papéis do setor de siderurgia. As ações refletiram a queda de 8,7% do minério de ferro ontem no mercado à vista chinês e de mais 0,8% hoje. Mesmo com o resultado de hoje, as ações da mineradora acumulam ganhos de mais de 11% em novembro. /COM REUTERS

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