GABRIELA BILÓ/ESTADÃO
GABRIELA BILÓ/ESTADÃO

Após quatro quedas consecutivas, Bolsa acumula perda semanal de 1,72%

Bolsa fechou pregão desta sexta-feira com leve variação negativa 0,05%; dólar é cotado a R$ 3,27

Paula Dias, O Estado de S.Paulo

16 Março 2018 | 19h22

O Ibovespa fechou o pregão da sexta-feira, 16, perto da estabilidade (-0,05%), aos 84.886,48 pontos. A variação negativa foi a quarta consecutiva, o que fez o índice acumular perdas de 1,72% na semana, a terceira pior de 2018. O resultado semanal zerou os ganhos do mês de março, que apresenta desvalorização de 0,55%. A alta acumulada em 30 dias é de 0,43% e, em 2018, de 11,10%.

"A Bolsa brasileira teve uma valorização importante nos últimos meses e passa por uma correção leve em um dia de cautela à espera do Fed Federal Reserve e do Copom", disse Carlos Soares, analista da Magliano Corretora.

Hoje, segundo dados preliminares da B3, o giro financeiro chegou a R$ 17,4 bilhões, muito influenciado pelas negociações em torno da fusão entre Suzano e Fibria (a segunda ação mais negociada em volume).

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Álvaro Bandeira, economista-chefe da ModalMais, afirma que o mercado brasileiro está buscando um ponto de equilíbrio diante de um quadro geopolítico mais difícil e que gera incertezas. Ele lembra que os investidores estrangeiros têm saído de suas posições em ativos de risco e que os locais têm apresentado mais cautela.

De acordo com a B3, até o dia 14 de março, os investidores não-residentes já retiraram R$ 3,043 bilhões do pregão. Com isso, o saldo no ano vai sendo reduzido e estava em R$ 2,273 bilhões na última quarta-feira. 

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Para Bandeira, há um recrudescimento do ponto de vista diplomático e isso influencia mais o mercado acionário local. "O pano de fundo são dois fatores maiores: ou a possibilidade de uma guerra fria ou de guerra comercial", diz. "A situação diplomática esgarçada entre Rússia e Reino Unido, por um lado, e as ações protecionistas do governo Donald Trump."

Muito embora os contratos futuros de petróleo tenham apresentado recuperação - subindo em torno de 1,5% - ao longo do dia, as ações da Petrobras não conseguiram tração para recompor as perdas vistas na sessão de ontem em razão da má recepção dos investidores às notícias sobre a política de dividendos e ao balanço da empresa. Os papéis ON e PN da petroleira fecharam em alta de 1,08% e 0,56%.

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Câmbio. O dólar à vista terminou o dia cotado a R$ 3,27, em baixa de 0,26% no dia, mas com alta de 0,80% no acumulado da semana. Depois de ter se aproximado mais um pouco do teto de R$ 3,30, o dólar passou a atrair ordens de venda no período da tarde e firmou-se em queda moderada até o encerramento dos negócios. As atenções dos investidores seguiram concentradas em pontos de cautela do cenário norte-americano, como as medidas protecionistas de Donald Trump e a reunião do Federal Reserve.

"A chegada do dólar ao patamar próximo de R$ 3,30 acabou por atrair os agentes que estavam segurando ordens de venda. Então, houve um fluxo que contribuiu para a desaceleração do dólar", disse Alessandro Faganello, operador da Advanced Corretora. "A cotação de R$ 3,30 é importante porque é o valor que o mercado trabalha nas projeções para o final do ano, embora seja muito cedo para estimar esse valor", afirmou o profissional.

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