Após recessão no Brasil, OCDE prevê PIB de 0,3% e inflação no teto da meta em 2014

Organização projeta crescimento modesto para o País nos próximos anos devido à fraca demanda no exterior

Fernando Nakagawa, correspondente em Londres, O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2014 | 10h03

(Atualizada às 15h18)

LONDRES -  A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) manteve as principais previsões para o crescimento da economia brasileira. De acordo com a atualização do cenário econômico divulgado nesta terça-feira, 25, após ligeiro período de recessão o Brasil volta a crescer e deverá terminar o ano com expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,3%. A previsão é a mesma apresentada pela entidade na revisão preliminar divulgada em setembro. Em maio, a entidade previa expansão de 1,8%.

Para a inflação, a organização prevê que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre o ano de 2014 em 6,5%, no teto da meta. A previsão anterior, divulgada em maio, era de que o indicador fechasse o ano em 5,9%. A OCDE projeta desaceleração gradual para a inflação no País até o patamar de 5,4% ao final de 2015. 

Para os próximos anos, a economia deve acelerar, mas continuará longe do forte ritmo visto no início da década. Para a OCDE, o Brasil deve crescer 1,5% no primeiro ano do próximo mandato da presidente Dilma Rousseff. Em 2016, ano da Olimpíada no Rio de Janeiro, o crescimento deve atingir 2%. O cenário é idêntico ao exibido pela OCDE durante a reunião das 20 maiores economias do mundo, o G-20.

"Depois de o PIB cair no primeiro semestre de 2014, a atividade deverá se recuperar gradualmente. No entanto, o crescimento continuará a ser modesto devido às políticas monetária e fiscal, à fraca demanda externa, aos baixos níveis de investimento e aos gargalos de infraestrutura", diz o relatório da OCDE. A economia brasileira encolheu no primeiro e no segundo trimestre de 2014, o que configura recessão técnica. 

Na atualização do relatório "OCDE Economic Outlook", a entidade que reúne as economias mais ricas do planeta sugere que a "a eliminação dos gargalos na oferta e a melhoria do clima de negócios têm potencial para aumentar as perspectivas de crescimento de médio prazo de forma significativa e ainda teria efeitos imediatos na confiança" no Brasil. "Um progresso rápido em infraestrutura, a reforma do sistema tributário, redução dos gastos administrativos da máquina pública e um maior engajamento no comércio internacional seriam maneiras eficazes para aumentar a produtividade e a competitividade", completa a OCDE.

Inflação. Mesmo com a fraqueza da economia, a inflação não dá folga no Brasil e o País deve terminar o ano com o IPCA exatamente no teto da meta: 6,5%. Na estimativa anterior, divulgada em maio, a entidade previa alta de 5,9% para o ano.

"A inflação se mostrou persistente mesmo diante da breve recessão. Tendo em vista essa situação e também para manter as expectativas de inflação ancoradas será preciso uma política monetária apertada no próximo ano, apesar da fraqueza do crescimento", destaca o documento divulgado em Paris.

Após terminar 2014 exatamente no teto da meta, a inflação deve desacelerar ligeiramente para 5,4% em 2015. Em maio, a entidade previa alta do IPCA ligeiramente maior, de 5,5%, no próximo ano. Para 2016, a OCDE estima desaceleração dos preços para 5,1%. 

Contas públicas. O rombo das contas públicas crescerá mais que o esperado e o déficit nominal do governo brasileiro somará o equivalente a 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. A estimativa anterior, divulgada em maio, calculava que o déficit fiscal seria o equivalente a 3,4% do PIB.

Para 2015, as contas públicas devem apresentar ligeira melhora e o déficit tende a diminuir para o equivalente a 3,1% do PIB. A previsão é idêntica à anunciada em maio. Para 2016, a entidade espera que haja nova melhora e o déficit nominal diminua para 3% do PIB.

A piora dos números em 2014 chamou atenção da OCDE porque o Brasil voltou ao perigoso campo do déficit orçamentário que gera aumento da dívida. "O superávit fiscal primário diminuiu a ponto que a dívida pública bruta em relação ao PIB, agora em 60%, já começou a subir", destaca o documento. Efetivamente, o Brasil não tem conseguido registrar sequer superávit primário e, assim, o déficit nominal tem sido recorde nos últimos meses.

Diante da piora dos dados, a entidade sugere que o Brasil adote uma política fiscal mais apertada para que os indicadores da dívida possam voltar a melhorar. Uma das sugestões é cortar gastos públicos "cujo efeito sobre o crescimento não é claro".

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