Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Após sete altas consecutivas, dólar cai 0,43%, para R$ 3,24

Moeda recuou depois de ter atingido maior cotação em quase 12 anos na sexta-feira; BC diz que não há justificativa para o 'galope'

Denise Abarca, O Estado de S. Paulo

16 de março de 2015 | 10h15


Texto atualizado às 17h20

Após sete sessões seguidas de alta, o dólar passou a segunda-feira em baixa e acabou em queda de 0,43%, cotado a R$ 3,246. A moeda teve influência importante da tendência externa, que acabou se sobrepondo a eventuais reações do mercado às manifestações contra o governo ontem, com milhares de pessoas nas ruas pelo País. Nos EUA, indicadores fracos da economia norte-americana amenizaram a expectativa sobre a sinalização sobre a alta das taxas de juros americanas, às vésperas do encontro do Federal Reserve, na quarta-feira.

De maneira geral, o clima positivo no exterior colaborou para uma realização de lucros nos negócios locais - esta foi a segunda baixa do dólar ante o real nas 11 sessões de março. No mês, ainda há alta acumulada em 13,66%.

Ainda na sexta, o Banco Central quebrou o silêncio e afirmou que o avanço do dólar em relação ao real é exagerado. Segundo a instituição, não há justificativa para que o ajuste no câmbio se dê de maneira mais agressiva no Brasil do que em outros países.

A moeda já começou o dia para baixo e o movimento foi ganhando fôlego ao longo da manhã até bater a mínima de R$ 3,2090 (-1,56%) no começo da tarde. Ao longo da tarde, o recuo perdeu impulso em linha com o comportamento no exterior. No mercado global, o dólar mostrou queda ante boa parte das divisas, na esteira de dados sobre a atividade nos EUA. A produção industrial norte-americana (+1,0%) subiu abaixo do esperado (+0,2%) em fevereiro e o índice Empire State de atividade industrial na região de Nova York caiu para 6,90 em março, aquém da expectativa de alta para 8,30, ante 7,78 em fevereiro. Já a confiança das construtoras do país recuou para 53 em março, quando a previsão era 55. Diante dos números, a percepção é de que o Fed pode esperar um pouco mais para começar a retirar a política monetária do modo acomodatício.

A movimentação em Brasília segue no radar. Após as manifestações de domingo, que mobilizou milhares de cidadãos em todo o País, o governo, via ministros, afirmou estar disposto a dialogar com a sociedade para tentar atender às demandas, a começar pela implantação de um plano de combate à corrupção.

Ao longo do dia o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reuniu-se com vários empresários em São Paulo para falar sobre o ajuste fiscal e reforçou a necessidade de um acerto com o Congresso. "Política anticíclica permanente é insustentável do ponto de vista fiscal, mas é claro que algumas medidas precisam consultar o sócio do governo, o Congresso", disse, acrescentando que o governo está dialogando com os parlamentares sobre algumas medidas. "Quando o jogo é claro, todo mundo vai à luta e as coisas mudam", afirmou. "Estamos trabalhando para evitar cenários de 'downgrade' e inflação alta", completou, aos empresários na Associação Comercial de São Paulo.

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