Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Após sete dias de alta, dólar recua e fecha em R$ 4,10

Moeda americana tem queda de 0,36% ante o real nesta sexta-feira, 24,  acompanhando o movimento de desvalorização generalizada do dólar no exterior; Bolsa sobe 0,83%

Reuters

24 Agosto 2018 | 09h59
Atualizado 24 Agosto 2018 | 17h30

A moeda americana seguiu o mercado externo e operou em baixa ante o real nesta sexta-feira, 24, num movimento de correção após saltar mais de 6,69% em sete pregões consecutivos de alta. O dólar à vista caiu 0,36%, a R$ 4,1056. Na mínima desta manhã, a moeda chegou a cair a R$ 4,07. Na quinta-feira, a divisa dos Estados Unidos terminou a sessão a R$ 4,1203 no mercado à vista, com ganho de 1,45%.

Os investidores estavam na expectativa pelo discurso do presidente do banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve), Jerome Powell, que reforçou a mensagem de gradualismo no aumento dos juros já indicada pelo Fed, trazendo alívio aos mercados."Estrategistas globais vislumbram a possibilidade de um discurso mais assertivo de Powell quanto a política monetária do Fed, especialmente após as críticas que tem recebido de Donald Trump nos últimos dias”, escreveu a Correparti Corretora.

“Powell não trouxe nenhuma surpresa... frisou o gradualismo”, afirmou o operador da H.Commcor Corretora Cleber Alessie Machado.

Powell afirmou que aumentos constantes da taxa de juros pelo Fed são a melhor maneira de proteger a recuperação econômica dos Estados Unidos e manter o crescimento do mercado de trabalho o mais forte possível e a inflação sob controle.

Endossando a postura de política monetária do Fed poucos dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter criticado as altas de juros, Powell usou o simpósio anual de Jackson Hole para “explicar hoje porque meus colegas e eu acreditamos que esse processo gradual... continua apropriado”.

Trump, em entrevista recente à Reuters, disse que não estava “animado” com Powell por causa dos aumentos de juros e que o Fed deveria ser mais expansionista e ajudar na atividade econômica.

O Fed já subiu os juros duas vezes neste ano e o mercado acredita que outras duas altas virão ainda, dentro do cenário de movimento gradual ressaltado pela própria autoridade monetária em meio à força que a maior economia vem mostrando e ações do governo para impulsioná-la ainda mais.

No exterior, o dólar ampliou a queda ante uma cesta de moedas após o discurso de Powell. O dólar também caía ante divisas de países emergentes, entre elas o real.

Internamente, a cena política continuava sob os holofotes. Nova pesquisa semanal da corretora XP Investimentos divulgada mais cedo mostrou poucas mudanças na preferência do eleitorado, com oscilações dentro da margem de erro e o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) mantendo a liderança na disputa em cenário sem a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no páreo.

Nos últimos dias, as pesquisas içaram o dólar para acima de R$ 4,10 depois que de mostrarem que o candidato preferido do mercado, Geraldo Alckmin (PSDB), seguia sem ganhar tração, e que o PT poderia ir para o segundo turno.

“Sinto que o dólar subiu demais, mas dado o cenário eleitoral e a conjuntura volátil, difícil falar que ele vai voltar para abaixo de R$ 4 tão cedo”, acrescentou Machado.

O Banco Central brasileiro ofertou e vendeu integralmente 4,8 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando US$ 4,32 bilhões do total de US$ 5,255 bilhões  que vence em setembro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

Bolsa fecha em alta de 0,83%

O principal índice acionário da bolsa paulista B3 operou em alta nesta sexta-feira, 24, com menos aversão a risco no exterior e após as quedas recentes, embora o tom de cautela permaneça no radar diante das incertezas do cenário eleitoral local.

O Ibovespa subiu 0,83% aos 76.262,23 pontos, após cair 1,65% na quinta-feira, 23.

Wall Street operava no azul, amparado nos ganhos de ações de empresas do setor de energia, com o S&P 500 mostrando ganho de 0,29%.

Ainda no exterior, o chairman do Federal Reserve, Jerome Powell, reforçou o viés de alta gradual de juros na maior economia do mundo, ao afirmar nesta manhã que aumentos constantes da taxa de juros pelo banco central norte-americano são a melhor maneira de proteger a recuperação econômica dos Estados Unidos e manter o crescimento do mercado de trabalho o mais forte possível e a inflação sob controle.

“Em dia de alta de commodities no exterior, influenciados também por dólar mais fraco e manutenção do tom de alta gradual de juros pelo Fed, e com preços das ações atrativos a estrangeiros, temos até o momento um dia tranquilo, com recuperação após perdas recentes”, disse o analista da Lerosa Investimentos Vitor Suzaki.

No front local, o mercado segue atento ao cenário eleitoral, à espera de mais clareza sobre o rumo do pleito. Neste sentido, a pesquisa de intenção de votos da XP Investimentos mostrou pouca mudança na corrida eleitoral, com oscilações dentro da margem de erro e o candidato Jair Bolsonaro (PSL) mantendo a liderança na disputa em um cenário em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está fora do páreo.

Mais conteúdo sobre:
dólar

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.