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Bolsa cai 1,9% e fecha no menor nível em quase dois meses

Guerra comercial e crise argentina se somam a incertezas eleitorais no País e fazem Ibovespa perder o patamar dos 75 mil pontos; dólar termina o dia estável, valendo R$ 4,15

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04 Setembro 2018 | 09h48
Atualizado 04 Setembro 2018 | 18h01

O Ibovespa fechou em queda pelo segundo pregão consecutivo nesta terça-feira, 4, na mínima em quase dois meses, pressionado pelo viés externo adverso, com agentes financeiros também cautelosos antes de nova pesquisa sobre a preferência de eleitores dadas as persistentes incertezas ligadas à corrida presidencial no país. O principal índice de ações do mercado brasileiro caiu 1,94%, a 74.711,80 pontos, menor fechamento desde 11 de julho, quando terminou a 74.398,55 pontos. O volume financeiro somava R$ 7,9 bilhões.

O dólar fechou praticamente estável frente ao real, num movimento de correção após ter encostado no patamar de R$ 4,20 pela manhã, com os investidores ainda cautelosos com o cenário externo e eleições presidenciais locais. Após ter alta de 2,12% no primeiro pregão do mês de setembro, o dólar avançou 0,04%, a R$ 4,1521 reais na venda. O dólar futuro também rondava a estabilidade no final da tarde.

O maior valor de fechamento da moeda americana ocorreu no dia 21 de janeiro de 2016, quando fechou o dia cotada a R$ 4,1705, maior cotação desde o Plano Real. Na época, o mercado refletiu ruídos de comunicação na política monetária do Banco Central, que manteve a taxa Selic em 14,25%, quando agentes do mercado esperavam uma elevação da taxa.

"O mercado aguarda os desdobramentos das negociações entre os Estados Unidos e o Canadá, além da imposição de novas alíquotas já anunciadas pelo governo norte-americano aos produtos chineses. Com isso, o clima segue de cautela, o que tem atingido, além das bolsas europeias, as moedas dos países emergentes", justificou mais cedo o banco Bradesco em relatório, quando o dólar rondava as máximas do dia.

As tensões comerciais vêm afetando os mercados globais e emergentes, com as preocupações aumentando novamente após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, no fim de semana de que não havia necessidade de manter o Canadá no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Além disso, Trump estaria preparado para acelerar rapidamente a guerra comercial com a China e poderia estar pronto para impor mais tarifas às importações chinesas.

No exterior, o dólar tinha forte avanço ante uma cesta de moedas e sobre moedas de países emergentes, com destaque para o rand, depois que a África do Sul entrou em recessão no segundo trimestre pela primeira vez desde 2009.

As atenções também continuaram voltadas para a Argentina, onde o governo anunciou novos impostos e cortes de gastos na véspera para tentar equilibrar o orçamento e antecipar recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI). O dólar subia 3% ante o peso argentino perto do fechamento doméstico.

A forte alta do dólar durante a manhã, no entanto, foi perdendo força e chegou a ser revertida com a notícia de que o Ministério Público de São Paulo denunciou o candidato a vice-presidente do PT, Fernando Haddad, por corrupção.

 

Haddad, provável substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na chapa do PT após o ex-presidente ter sido barrado da disputa na semana passada, já havia sido acusado pelo MP de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito no mesmo caso.

O mercado vê o PT como menos comprometido com as contas públicas e, por isso, assume posturas defensivas diante da possibilidade de a legenda avançar para o segundo turno. Lula lidera todas as pesquisas de intenção de votos à Presidência e os investidores temem a força de transferência desses votos para seu substituto.

O mercado também esteve na expectativa sobre novas pesquisas de intenção de votos: Ibope, depois do fechamento do mercado nesta terça-feira, e Datafolha, que deve sair no fim de semana.

Embora não tenha sustentado o recuo até o final do dia, o dólar também não voltou a galgar patamares mais altos, já que exportadores aproveitaram preços e os investidores também voltaram a ficar atentos à possibilidade de atuação extraordinária do Banco Central.

A autoridade, no entanto, apenas ofertou e vendeu integralmente 10,9 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando US$ 1,09 bilhão do total de US$ 9,801 bilhões que vence em outubro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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