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Com eleição de Trump, dólar sobe e fecha a R$ 3,22

Analistas citam tom 'conciliador' do republicano em seu primeiro discurso como motivo de certo alívio; ainda assim, Bolsa terminou em queda de mais de 1%

Lucas Hirata, Álvaro Campos, Matheus Maderal, Broadcast

09 Novembro 2016 | 08h36

A surpreendente vitória de Donald Trump na disputa pela presidência dos Estados Unidos deixou os mercados financeiros internacionais em curto-circuito, mas o choque foi sendo diluído ao longo do dia e, no final, as previsões de que a ascensão do candidato republicano provocaria uma “hecatombe” nas bolsas acabaram não se confirmando.

As bolsas asiáticas, as primeiras, por questões geográficas, a receberem a notícia de que Trump era o vitorioso, fecharam em baixa: em Tóquio, o índice Nikkei caiu 5,4%. Na Europa, a notícia foi recebida a princípio com fortes quedas nas bolsas, mas algumas se recuperaram ao longo do dia e fecharam em alta. Nos Estados Unidos, as bolsas fecharam no positivo. O argumento para esse movimento foi de que o discurso conciliador de Trump após a vitória aponta para um caminho menos “apocalíptico” do que o suposto inicialmente.

“Os investidores parecem ter encontrado conforto com o discurso de vitória de Trump, no qual ele fez alguns comentários conciliatórios sobre a união nos EUA e de um governo para todo o país, em contraste com o tom durante a maior parte de sua campanha”, disseram analistas do banco dinamarquês Nordea. “Trump será um empresário em Washington, livre de uma forte ideologia política, ou agirá como ameaçou fazer durante a campanha (rotular a China como manipuladora de moeda, aumentar as tarifas contra China e México, construir um muro na fronteira?)”, questionaram os especialistas, lembrando que esse esclarecimento pode demorar várias semanas e, potencialmente, meses.

No Brasil, a Bovespa abriu o dia em forte baixa, chegou a operar no positivo, mas acabou fechando em queda de 1,40%, aos 63.258,26 pontos. Quem puxou o resultado para baixo foi o setor bancário, principalmente o Itaú Unibanco, cujas ações fecharam em queda de 3,20%, após o banco anunciar a troca de comando (mais informações na pág. B12). A vitória de Trump, no final das contas, acabou tendo influência menor.

Dólar. No câmbio, porém, a eleição americana teve mais impacto. No mercado à vista brasileiro, o dólar fechou em alta de 1,57%, aos R$ 3,2232. Durante o dia, chegou a subir 2,34%. A perspectiva de volatilidade e alta na sessão levou o Banco Central até mesmo a cancelar o leilão de swap reverso – que corresponde a uma compra de moeda no mercado futuro.

“Todos os ativos de risco abriram sob o estresse da eleição de Trump e, aos poucos, foram melhorando. O mercado passou a entender que o Trump candidato não vai ser o Trump presidente”, afirmou a economista-chefe da Arx Investimentos, Solange Srour. Na avaliação dela, a retórica mais agressiva do republicano pode ter ficado para os tempos de campanha e agora o presidente eleito deve assumir a busca por apoio político.

Para Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho, os discursos tanto de republicanos quanto de democratas após o resultado da eleição americana foram de união, o que contribuiu para amenizar o impacto da vitória de Trump. “Ainda assim, as direções das políticas econômicas a serem implementadas tendem a ser diferentes das atuais, desde comércio exterior até imigração”, disse. 

Diante da incerteza, a postura entre os investidores nos próximos dias deve continuar a ser de ajustes nas perspectivas sobre os Estados Unidos. “Não dá para descartar alguma tensão ou surpresa futura”, afirmou o operador de uma corretora. 

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