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Após três dias de alta, dólar cede 1,35% e é cotado a R$ 3,549; Bolsa sobe 1,89%

Dólar fechou abaixo do patamar de R$ 3,55 após dados mais fracos de inflação aliviarem a pressão sobre alta de juros nos EUA

Ana Paula Ragazzi e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2018 | 17h49

Depois de acumular alta de 2,7% em seis pregões de maio, o dólar desacelerou hoje em relação ao real. A moeda americana só operou em baixa ao longo do dia e recuou 1,35% no fechamento, para R$ 3,5493. A divisa oscilou da mínima de R$ 3,5426 (-1,53%) à máxima de R$ 3,5843 (-0,37%). Já a Bolsa local teve mais uma alta significativa, com avanço de 1,89%, aos 85.861,19 pontos, impulsionada pelo desempenho das Bolsas de Nova York e dos papéis da Petrobrás.

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O sossego no mercado de dólar veio depois da divulgação de indicadores de inflação aqui e nos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,2% em abril ante março, segundo pesquisa divulgada hoje pelo Departamento do Trabalho. O resultado ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta de 0,3% do CPI. Esse dado afastou, pelo menos por hoje, a preocupação em relação a pressões inflacionárias na economia americana. Como resultado, o título de 10 anos operou em baixa (1,26%) e o dólar caiu em relação às moedas emergentes.

Por volta das 17h, o dólar recuava em relação ao rublo (-2,21%), ao rand (-2,05%); ao peso mexicano (-1,69%) e ao peso chileno (-1,32%).

O dado mais fraco do que o esperado pelo mercado para a inflação brasileira enterrou de vez qualquer especulação sobre a possibilidade de a valorização do dólar afetar a decisão do Banco Central na reunião do Copom semana que vem.

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"O mercado, de fato, se assustou com essa alta recente do dólar e puxou a curva de juros e, por alguns dias, o que era certo para a reunião de semana que vem deixou de ser. Mas depois desses dados de hoje do IPCA, as curvas deixaram de lado qualquer incerteza de nova redução da Selic", afirmou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves. "Em um regime de metas de inflação, o BC tem de olhar a inflação, não o câmbio. O correto é se preocupar com o câmbio só se houver evidência de que está havendo repasse de preços, o que não está ocorrendo, também em função da atividade econômica, ainda muito fraca", afirmou. Lima Gonçalves reforça que o câmbio, a R$ 3,50, não oferece, na conta dos economistas, risco para a inflação. "Se ele ficar acima disso é possível que haja algum impacto, mas é preciso esperar para ver", disse.

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Salomão Quadros, superintendente adjunto da Superintendência de Preços do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), também afirmou nesta quinta-feira, 10, que a evolução das cotações de commodities, como minério de ferro, petróleo e soja, pesa mais do que a alta do dólar na aceleração recente dos Índices Gerais de Preços (IGPs) da FGV.

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Bolsa.  O Índice Bovespa deu continuidade ao desempenho positivo da véspera e teve novo pregão de ganhos firmes nesta quinta-feira, mais uma vez tendo como destaque as altas das bolsas de Nova York e das ações da Petrobras. Operadores observam uma melhora no fluxo estrangeiro na Bolsa sustentando as recentes altas, com investidores atraídos pela recente apreciação do dólar. Nesta que foi a terceira sessão consecutiva de alta, o Ibovespa avançou 1,89%, aos 85.861,19 pontos. Os negócios somaram R$ 11,7 bilhões, dentro da média das últimas semanas.

"É um movimento interessante, principalmente das ações da Petrobrás, que vinham operando na mesma faixa de preço desde o final de fevereiro, mas que agora mostram uma alta até então inesperada", disse Lucas Claro, analista da corretora Ativa Investimentos.

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Os principais eventos do dia ocorreram no período da manhã e exerceram influência nos negócios ao longo de todo o pregão. Nos Estados Unidos, a inflação abaixo do esperado medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI) em abril (0,2%) amenizou temores de um aperto monetário mais forte no país, o que favoreceu a queda do dólar e a alta das bolsas. Por aqui, o IPCA do mês passado (0,22%) ficou no piso das estimativas e reforçou a expectativa de mais um corte na taxa Selic, o que também beneficia o mercado de ações.

"Há notícias positivas, como a sinalização de que haverá novo corte da Selic, mas o cenário internacional foi mais uma vez determinante para o desempenho de hoje. Uma vez que não se espera mais avanços no Brasil este ano, o mercado deve operar nos próximos meses à mercê do cenário externo", disse Guilherme Macêdo, sócio da Vokin Investimentos.

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Para Macêdo, até pelo menos agosto, quando as candidaturas à presidência forem oficializadas, o investidor estrangeiro tende a operar atento principalmente ao câmbio e ao petróleo, devido à sua forte correção com os preços da Petrobras. Para Lucas Claro, da Ativa, se o clima positivo dos últimos dias levar o Ibovespa de volta aos picos do ano, é possível que o índice busque os esperados 100 mil pontos até o final do ano. "O período de eleição é historicamente de muita volatilidade e teremos de esperar até lá", disse Claro.

Depois da disparada da quarta-feira, as ações da Petrobras ainda tiveram fôlego para nova rodada de altas, e com forte volume de negócios. Assim como na véspera, a movimentação global dos dois papéis respondeu por cerca de um terço dos negócios na Bolsa. Ao final do pregão, Petrobras ON e PN subiram 2,29% e 5,95%.

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