Argentina reage às críticas da Petrobras

O ministro do Planejamento da Argentina, Julio De Vido, criticou o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que na véspera havia se queixado do sistema de preços imposto pelo governo do presidente Néstor Kirchner. "Não permitiremos que o presidente de uma empresa estrangeira, que neste caso é do Estado brasileiro, venha opinar sobre as políticas soberanas que a Argentina aplica e venha condicionar investimentos", afirmou De Vido.No fim da noite, o escritório da Petrobras em Buenos Aires divulgou nota na qual Gabrielli "reafirma publicamente sua disposição de manter uma forte presença na Argentina". Ainda segundo o comunicado, as declarações de Gabrielli na imprensa argentina "foram interpretadas de forma errada".Na terça-feira, durante um fórum de investimentos organizado pela agência Reuters no Rio de Janeiro, Gabrielli disse que o sistema de preços não estimulava de forma alguma os investimentos na Argentina. "De forma alguma nós iríamos ao Brasil sugerir que o Lula tenha uma determinada política de preços", declarou De Vido antes de embarcar para uma viagem ao Equador e Venezuela. "As opiniões de Gabrielli são inapropriadas para uma empresa que é somente concessionária na Argentina."Os analistas argentinos, no entanto, concordam com Gabrielli e destacam que os preços argentinos na área energética, atualmente, são 70% mais baixos do que no resto do Cone Sul. No entanto, o governo Kirchner recusa-se a permitir um aumento, já que isso dispararia a inflação e complicaria as possibilidades de reeleição de Kirchner ou de eleição da primeira-dama, a senadora Cristina Fernández de Kirchner, à presidência do país.ConfrontosO presidente argentino tem um histórico de confrontos com a Petrobrás. A empresa, na Argentina desde os anos 90, adquiriu grande importância no país a partir de 2003, quando adquiriu a Pérez Companc, a última grande empresa energética com capital argentino. Kirchner, que preferia a empresa nas mãos da "burguesia nacional", não gostou da compra.No pacote da Pecom, a Petrobras adquiriu a Transener, maior distribuidora de energia elétrica da Argentina, considerada estratégica para o país. Após a compra, Kirchner pressionou a Petrobrás para se desfazer da Transener. Meses atrás, quando o fundo americano Eton Park havia quase fechado o negócio para a compra da Transener, Kirchner voltou a pressionar, para a impedir o negócio.

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