Às vésperas do 2º turno, dólar ‘fura’ barreira de R$ 2,50, maior cotação em quase seis anos

Às vésperas do 2º turno, dólar ‘fura’ barreira de R$ 2,50, maior cotação em quase seis anos

Especulações eleitorais determinaram o rumo do mercado financeiro; Bolsa fechou em queda pela 4ª sessão, no menor nível desde abril

Olívia Bulla e Clarissa Mangueira, Agência Estado

23 de outubro de 2014 | 10h17

Texto atualizado às 18h15

As especulações na reta final da corrida eleitoral impulsionaram o dólar para o maior patamar em quase seis anos. A moeda fechou em alta de 0,84%, a R$ 2,509, a maior cotação desde 4 dezembro de 2008. 

A pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo confirmou os rumores que já circulavam no mercado durante a tarde e mostrou que Dilma Rousseff (PT) abriu 8 pontos de vantagem sobre o candidato do PSDB, Aécio Neves. O tucano caiu de 51% para 46% dos votos válidos de quarta-feira passada para cá e Dilma subiu de 49% para 54%. Com o resultado, Dilma assumiu a liderança fora da margem de erro da pesquisa.


 

 

Já o Datafolha indicou que, em votos válidos, Dilma oscilou de 52% para 53% e Aécio, de 48% para 47%. Após a divulgação das pesquisas, o dólar futuro para novembro acelerou os ganhos, em alta de 1,20%, cotado a R$ 2,5235.

O movimento de alta já era visto desde a manhã, com a moeda testando o nível dos R$ 2,50, em meio às especulações eleitorais e a dados positivos da economia norte-americana.  

Ações. A Bovespa também foi afetada pela pesquisa eleitoral e fechou em queda pela quarta sessão consecutiva, no menor nível de pontos desde 15 de abril. O Ibovespa caiu 3,24%, aos 50.713,26 pontos. No ano, a Bolsa zerou os ganhos e passou cair 1,54%, enquanto no mês acumula baixa de 6,29%.

O Ibovespa já abriu o pregão desta quinta em queda, negociado na casa dos 51 mil pontos, com perdas ao redor de 2%, na contramão do sinal positivo exibido pelos índices futuros das bolsas de Nova York. 

Mesmo após as bolsas de Wall Street terem iniciado os negócios em alta, reagindo a balanços corporativos nos EUA melhores que o esperado, a Bolsa brasileira manteve as perdas, devido à cautela dos investidores antes da realização do segundo turno das eleições, no próximo domingo.

As ações do Banco do Brasil lideraram as perdas na sessão e terminaram com baixa de 9,11%. Os papéis de outros bancos seguiram a tendência e também recuaram: Bradesco PN (-6,02%) e Itaú Unibanco (-4,53%). Entre as empresas estatais: Petrobrás ON -6,23%, Petrobrás PN -7,22%, Eletrobras ON -6,71% e Eletrobras PNB -4,64%.

Já as ações do setor de mineração e siderurgia figuraram entre as altas da Bolsa: Vale ON (+1,83%), Vale PNA (+1,90%), CSN (+4,95%). Os dados de produção divulgados mais cedo pela Vale ajudam a impulsionar as ações da companhia, apesar da preocupação de analistas quanto ao preço do minério de ferro. 

Além disso, foram anunciados dados positivos sobre o setor industrial da China. O índice de atividade dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial da China medido pelo HSBC subiu para 50,4 na leitura preliminar de outubro, de 50,2 em setembro.


ADRs despencam. Os papéis brasileiros também despencaram em Wall Street. Os American Depositary Receipts (ADRs, recibos que representam ações) de empresas nacionais tiveram outro dia de fortes perdas em Nova York. Há pouco, os papéis do Banco do Brasil recuavam 10,6%, os da Eletrobras perdiam 6,9% e os da Petrobrás cediam 5,8%.

A Petrobrás tem o segundo papel mais negociado do dia na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), superando o volume de operações de empresas conhecidas dos Estados Unidos, como Bank of America, a operadora de telefonia AT&T e as montadoras Ford e General Motors.

O mau humor com o Brasil nesta quinta-feira não se limitava às ações das estatais. Outras empresas e bancos tinham ADRs em forte queda. Entre elas, a companhia aérea Gol perdia 7,5% e o Itaú recuava 5,2%. Entre as estatais estaduais, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) tinha queda de 7% e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) recuava 6,5%.

Além das ações, os ETFs (ou Exchange Traded Funds), fundos que reproduzem papéis brasileiros e são listados em bolsas, também tiveram queda forte nesta quinta-feira em Wall Street. Entre os fundos listados na plataforma Arca, da Nyse, o Direxion Daily Brazil Bull 3X, da Direxion Investiments, caía 11,2% e o ProShares Ultra MSCI Brazil Capped, da gestora ProShares, recuava 8,2%. O Direxion Daily tem entre suas apostas, segundo seu prospecto, papéis da Petrobrás, Ambev, Itaú e Vale.

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