Ata do Copom é o principal foco do investidor

A divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na próxima quinta-feira é o evento mais importante da semana para o mercado financeiro. O interesse pelo documento ficou reforçado depois que a taxa básica de juros foi reduzida, na semana passada, de 17,25% ao ano para 16,50%, um corte de 0,75 ponto porcentual, com votos de seis diretores, enquanto outros três defenderam uma redução de 1 ponto porcentual. "Como não houve consenso na decisão, o mercado vai querer encontrar na ata explicações que possam indicar se a redução na próxima reunião poderá pender mais para 1 ponto do que para 0,75 ponto (tido como piso de corte depois da decisão dividida da última reunião)", comenta o tesoureiro do Banif Investment Bank, Rodrigo Boulos. Uma indicação de adesão de votos para um corte maior fortaleceria a possibilidade de uma redução de 1 ponto porcentual no juro básico na próxima reunião, dias 18 e 19 de abril. Com a ata atraindo as expectativas como principal evento internamente, todos os demais focos do mercado estão lotados no cenário internacional. Há uma enxurrada de indicadores econômicos norte-americanos que poderão afetar a decisão dos investidores, na medida em que influenciarem a tendência dos juros nos títulos americanos. "O mercado interno tem oscilado muito em função do mercado americano", diz Boulos. A repentina elevação dos juros dos títulos norte-americanos de dez anos, para o nível de 4,70% ao ano, na semana passada, levou à forte queda da Bolsa de São Paulo e à alta do dólar. O temor é que a inesperada alta esteja indicando uma elevação mais forte do juro nos EUA, comenta o tesoureiro do Banif Investment Bank. Mas, segundo ele, o cenário pode se acalmar lá fora e o dólar equilibrar-se novamente em torno de R$ 2,11. O principal evento nos EUA é a divulgação, na quarta-feira, do "livro bege", um apanhado sobre as condições da economia norte-americana que serve de base para a tomada de decisões da política monetária. A próxima reunião do Federal Reserve (Fed, banco central americano) para decidir o rumo do juro de curto prazo nos EUA será no dia 28. Outros indicadores de destaque nos EUA são o índice de preços ao consumidor (CPI) de fevereiro, que sai na quinta-feira, e os dados da produção industrial americana, também de fevereiro, na sexta. "São dados que vão continuar ditando a tendência dos juros americanos, o que influencia também os mercados domésticos", avalia Boulos. Segundo ele, a Bolsa paulista pode retomar a alta com a melhora do cenário internacional.

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