Ata do Copom indica ritmo mais longo de queda da Selic

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), referente à reunião da semana passada e divulgada nesta manhã, em princípio sugere que o BC prefere uma trajetória mais longa de queda do juro básico, com reduções graduais da Selic, a promover cortes mais fortes na taxa, encurtando o tamanho da linha de reduções. Os diretores do Copom avaliam, na ata do Banco Central, que a atuação cautelosa da política monetária tem sido fundamental para aumentar as chances de a variação do IPCA acumulado no ano atingir a meta do governo de 4,5%. "E para que esta probabilidade continue se traduzindo em resultados efetivos, entretanto, é preciso que os indicadores prospectivos de inflação sigam apresentando elementos compatíveis com o cenário benigno que tem se configurado nos últimos meses", diz o documento. Para o Copom, dessa forma, a flexibilização gradual da política monetária não comprometerá as "importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na preservação do crescimento econômico, com geração de empregos e aumento da renda real". Na reunião da semana passada, o Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) em 0,75 ponto porcentual, para 16,5%. Segundo a opinião da maioria dos integrantes do Comitê que votaram por um corte de 0,75 pp e não por uma queda maior de 1 ponto porcentual, a redução da Selic na semana passada contribuiria para aumentar a magnitude do ajuste total a ser implementado. Os três membros do Copom que votaram por uma redução de 1 ponto porcentual avaliaram que essa queda proporcionaria um sinalização mais condizente com a melhora do balanço de riscos observada entre as reuniões de janeiro e março. Para eles, o atual balanço de riscos aponta uma recuperação equilibrada da economia, com destaque para as boas perspectivas de ampliação dos investimentos e de expansão das importações, e reflete também o arrefecimento de alta inflacionária do início do ano. O documento observa, no entanto, que esses três membros, ainda que tenham votado por um corte mais acentuado da taxa, reconhecem que os próximos passos do Banco Central estarão condicionados à evolução dos indicadores de inflação e as suas projeções. "Dada a menor distância entre a taxa básica de juros corrente e as taxas de juros que deverão vigorar em equilíbrio no médio prazo, esses membros (a maioria que votou por uma queda de 0,75 pp) entenderam que a melhora no balanço de riscos observada entre as reuniões de janeiro e março justificaria uma nova redução de 0,75 pp na taxa de juros básica", diz a ata. Os membros do Copom ressaltam ainda no documento que a convergência ininterrupta da inflação para a trajetória de metas e a resultante consolidação de um cenário de estabilidade macroeconômica duradoura contribuirão para a manutenção do processo de redução progressiva da percepção de risco macroeconômico que vem ocorrendo nos últimos anos. "O espaço para que observemos juros reais menores no futuro continuará se consolidando de forma natural como conseqüência dessa melhora de percepção", diz a ata. Combustíveis Os membros do Copom avaliam no documento que os preços dos combustíveis no Brasil podem subir com a recente alteração na composição da gasolina. O governo reduziu de 25% para 20% a mistura de álcool anidro na composição da gasolina. Mas para o Comitê essa elevação nos preços tenderá a se reverter ao longo do ano. Na ata, os integrantes do Copom afirmam que "em princípio" continuam trabalhando com um cenário que não contempla aumento dos preços domésticos da gasolina em 2006. E alertam que, mesmo assim, dadas as incertezas que cercam a sua trajetória, os preços do petróleo no mercado internacional continuam a representar fator de risco para o comportamento futuro da inflação. "De um lado, porque suas variações se transmitem à economia doméstica por intermédio dos seus efeitos sobre os preços de insumos derivados do petróleo; de outro, porque afetam as expectativas dos agentes econômicos", afirma a ata. Cenário externo A ata do Copom não deixou de mencionar as mudanças no quadro internacional ocorridas entre as duas últimas reuniões do Comitê, com redução da liquidez externa e aumento das incertezas sobre a política monetária nos Estados Unidos, zona do Euro e Japão, com potencial impacto sobre os mercados emergentes. Entretanto, o Copom continuou atribuindo "baixa probabilidade a um cenário de deterioração significativa nos mercados financeiros internacionais". Ou seja, conforme explicou o documento, "suficiente para comprometer as condições de financiamento do País, ainda mais em face ao aumento da capacidade de resistência da economia brasileira a choques externos". Em suma, o Copom continua otimista em relação ao cenário externo, apesar de tudo.

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