Ata do Copom não desata dúvidas do mercado futuro de juros

Documento reforçou o entendimento de que é necessário aguardar os efeitos das medidas macroprudenciais para refinar as apostas em relação ao início da alta dos juros básicos

Sueli Campo, da Agência Estado,

16 de dezembro de 2010 | 17h20

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central não elucidou as dúvidas do mercado de juros em relação ao início da alta dos juros básicos (taxa Selic) e a magnitude de aperto monetário e, nesse sentido, o documento foi considerado dúbio pelos analistas. A ata, divulgada hoje de manhã, reforça o entendimento de que é necessário aguardar os efeitos das medidas macroprudenciais adotadas recentemente. Segundo o texto, "a depender das circunstâncias, ações macroprudenciais podem preceder ações convencionais de política monetária".

Diante disso, o mercado de juros passou a quinta-feira tentando se ajustar a essa ambiguidade da ata, mas com ajustes modestos nos contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Ao final do dia, a curva mais curta de juros passou a mostrar 91% de probabilidade de uma elevação da taxa Selic de 0,25 ponto porcentual contra 9% de alta de 0,50 ponto no primeiro encontro do Copom de 2011, em janeiro.

Para a reunião do Copom seguinte, de março, a curva de juros futuros na BM&FBovespa projeta possibilidade de 92% de a taxa Selic subir 0,50 ponto ante 8% de chance de elevação de 0,25 ponto. Antes de ser conhecido o documento do BC, o mercado estava mais dividido em relação à primeira decisão do Copom de 2011. "Agora, o mercado de juros indica um movimento de alta da Selic de 0,75 ponto porcentual no primeiro trimestre, mas mesmo essa precificação não quer dizer que todo mundo acredita nisso", afirma Paulo Rebuzzi, da Ativa Corretora. Há quem espere, por exemplo, taxa Selic estável no ano que vem nos atuais 10,75% ao ano.

Para o economista, o tom da ata foi mais no sentido de sinalizar um alongamento de prazo para começar a usar juro como política monetária, o que ajudaria a explicar a queda de 0,5 ponto porcentual vista no DI de janeiro de 2012, de 11,87% no ajuste de ontem, para 11,82% ao ano hoje, com 372.845 contratos negociados ao término da sessão regular.

O DI com vencimento em julho de 2011 ficou praticamente estável, com a projeção fechando a negociação normal em 11,37% ao ano, ante 11,36% no ajuste de ontem, com 194.005 contratos. O DI de abril 2011 subiu a 10,94%, ante 10,92% no ajuste, com volume grande negociado, de 482.750 contratos. O DI de janeiro 2013 ficou em 12,32%, de 12,33% no ajuste (159.690 contratos), e o janeiro 2014 cedeu para 12,28%, ante 12,30% no ajuste (21.000 contratos). O DI janeiro 2017 cedeu para 12,18%, de 12,20% (23.845 contratos) e o janeiro 2021, subiu para 12,27%, ante 12,21% (4.110 contratos).

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