Ata do Copom tem impacto limitado e juros futuros ficam estáveis

Documento do BC adotou tom mais leve em relação ao cenário de inflação

Denise Abarca, da Agência Estado,

29 de julho de 2010 | 16h31

Os juros futuros encerraram o dia perto dos ajustes anteriores, com os contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) de longo prazo praticamente zerando o avanço visto pela manhã, passado o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje de manhã pelo Banco Central, teve um tom mais leve em relação ao cenário de inflação, conforme previam os analistas, mas não teve força para imprimir oscilação relevante aos contratos futuros de DI de curto prazo, que desde a manhã rondam a estabilidade. Ao término da negociação normal da BM&F, o DI de outubro de 2010 (86.070 contratos negociados), estável, projetava taxa de 10,72% ao ano; o DI de janeiro de 2011 (411.870 contratos negociados) projetava taxa de 10,82% ao ano, ante 10,83% ontem; o DI de janeiro de 2012 (261.525 contratos) estava em 11,53% ao ano, de 11,54% no ajuste anterior; e o DI de janeiro de 2014 (25.070 contratos) subia de 11,97% para 12% ao ano.

A ata mostrou que o Copom está mais otimista sobre a diminuição dos riscos para "a concretização do cenário benigno da inflação", ao mencionar pontos como a redução significativa da dispersão das expectativas de inflação, expansão da atividade menos intensa, sinais de oferta de crédito mais moderada e, ainda, aumento da probabilidade de alguma influência "desinflacionária" do ambiente externo sobre a inflação doméstica.

Sem entrar no debate sobre a base dos argumentos dos diretores do BC, o fato é que a ata da reunião do Copom reforçou a percepção que se instalou no mercado, na quarta-feira da semana passada, logo após o aumento de 0,5 ponto porcentual da taxa Selic para 10,75% ao ano, de que o processo de ajuste de alta dos juros terminará em setembro, no máximo. Os mais otimistas vão além e afirmam serem grandes as chances de o ciclo já ter terminado este mês. Na curva a termo, cresceu a probabilidade de uma alta de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic, que divide espaço com a aposta de manutenção do atual nível.

Em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, o sócio-diretor da RC Consultores, Fábio Silveira, projetou que o Banco Central deve elevar a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual na próxima reunião, marcada para setembro, fazendo com que o juro básico da economia brasileira encerre o ano em 11% ao ano. Depois, a expectativa é de que o Copom realize uma "pausa para reflexão" relacionada aos comportamentos dos mercados no âmbito internacional.

Enquanto as projeções dos DIs futuros de curto prazo pouco se mexeram, os DIs futuros de longo prazo tiveram uma manhã de alta nas projeções, pressionados pelo risco de pressões inflacionárias futuras diante da expectativa de encurtamento do atual processo de aperto monetário, e também pelas operações de hedge relacionadas ao leilão de papéis prefixados do Tesouro Nacional. Os investidores interessados em participar dos leilões normalmente montam posições compradas em DI para se proteger do risco prefixado. Passada a operação, muitas destas posições, geralmente daqueles que não conseguiram comprar o papel, são zeradas, o que explica o alívio da pressão nos longos à tarde.

Tudo o que sabemos sobre:
jurosCopomata

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.