Ata do Copom tem pouco efeito no mercado de juros

O mercado de juros está analisando a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada esta manhã pelo Banco Central. Até as 10h20, os juros futuros comportam-se relativamente estáveis na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), com uma pequena alta nos contratos de DIs (depósitos interfinanceiros) de prazos mais curtos, como o de julho de 2006, e inclinação de alta nos contratos longos. Na primeira leitura, o documento do BC favorece as apostas de nova queda de 0,75 ponto porcentual na taxa Selic em abril, em detrimento da idéia de corte de 1 ponto porcentual, que chegou a ter três votos de diretores do BC (vencidos) na reunião da semana passada, quando a taxa foi reduzida para 16,5%. Em princípio, a ata do Copom sugere que o BC prefere uma trajetória mais longa de queda do juro básico, com reduções graduais da Selic, a promover cortes mais fortes na taxa, encurtando o tamanho da linha de reduções. Mesmo assim, alguns operadores se perguntam o quanto mais longa pode ser essa trajetória de queda, com o juro básico aproximando-se rapidamente dos 15%. Os diretores do BC que votaram a favor do corte de 0,75 pp na semana passada indicam que preferem avaliar com cuidado os efeitos que a redução do juro vêm produzindo na inflação. Isso leva à idéia de que o Copom continuará no gradualismo. No que diz respeito ao cenário internacional, a ata não deixou de mencionar as mudanças ocorridas entre as duas últimas reuniões do Copom, com redução da liquidez internacional e aumento das incertezas sobre a política monetária nos EUA, zona do euro e Japão - e seu potencial de impacto sobre os mercados emergentes. Mesmo assim, o Copom continuou atribuindo "baixa probabilidade a um cenário de deterioração significativa nos mercados financeiros internacionais". Ou seja, conforme explicou o documento, uma deterioração que fosse "suficiente para comprometer as condições de financiamento do País, ainda mais em face ao aumento da capacidade de resistência da economia brasileira a choques externos". No que diz respeito ao petróleo, o Copom manteve a perspectiva de estabilidade nos preços da gasolina doméstica em 2006, embora continue considerando o petróleo um fator de risco para a inflação. É uma leitura positiva, mas que tem os seus "poréns". Mesmo predominantemente positiva, reconhecendo que a inflação mantém-se rumo às metas, a ata chegou a ser vista em algumas mesas por um viés mais conservador do que a simples manutenção do ritmo de cortes. Há quem considere que o BC não poderá continuar cortando a Selic em 0,75 ponto por muito mais tempo. Na BM&F, o juro do contrato de DI de julho de 2006 estava em 15,77% às 10h29, ante 15,74% de ontem; o contrato DI de janeiro de 2007 a 14,97%, ante 14,96% ontem; DI de janeiro de 08 a 14,42%, ante 14,41% ontem.

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