Ataque e apreensão com oferta elevam preço do petróleo

A apreensão quanto à oferta de petróleo segue norteando compras de futuros da commodity, a despeito dos níveis de estoques altos do produto e derivados nos EUA. O contrato para abril do petróleo sobe 0,38%, para US$ 63,60 por barril, na Nymex eletrônica. Na ICE Futures Exchange, ex-International Petroleum Exchange, o Brent para abril era negociado com alta de 0,47%, a US$ 64,37 por barril, após ter se fortalecido cerca de 4% ao longo da semana. O fato principal da retomada da alta do petróleo é a preocupação constante sobre interrupções na oferta, seja em conseqüência do recrudescimento dos conflitos na Nigéria ou das apreensões quanto às pretensões sobre o programa nuclear do Irã. "É difícil ver um risco de queda significativo de preços, diante de tanta incerteza no mercado. Os bulls - aqueles que apostam em alta - certamente estiveram no controle na semana", comentou um operador. Cerca de 455 mil barris por dia de petróleo da Nigéria não estão chegando ao mercado global há cerca de duas semanas, após militantes terem atacado unidades petrolíferas no delta do Rio Níger e tomado estrangeiros como reféns. Na manhã de hoje, as esperanças sobre a libertação iminente dos três reféns mantidos por rebeldes nigerianos diminuíram, após seus raptores terem colocado mais cinco precondições para libertá-los. Os rebeldes querem a dispersão da Força Tarefa Unida, unidade militar especial do governo no delta do Rio Níger; a desmilitarização da zona onde os Ijaws moram, o fim da poluição e queima de gás e a exclusão dos soldados do governo da tarefa de prestar segurança às companhias petrolíferas. Eles também exigem que a Força Tarefa Unida seja substituída por uma equipe de negociação imparcial. Na quarta-feira, seis reféns foram libertados. Além da questão nigeriana, o mercado vai monitorar também o desdobramento do encontro da Agência Internacional de Energia Atômica, marcado para segunda-feira, no qual será discutida a questão do Irã. Diante do empenho atual dos meios diplomáticos, é pouco provável que ocorra uma exacerbação das tensões relacionadas ao assunto. A próxima semana tem ainda o encontro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, agendado para quarta-feira. A Opep não deve alterar sua política atual de cotas de produção, diante dos preços elevados da commodity e das instabilidades em determinados países produtores.

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