Atentos ao dólar, juros futuros reagem com alta

Os juros futuros reagiram com altas à divulgação, nesta quinta-feira, 6, da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que elevou o juro básico da economia (Selic) para 8,00% ao ano. O documento confirmou o tom mais duro por parte do BC. Segundo a ata, o "o nível elevado de inflação e a dispersão de aumentos de preços contribuem para que a inflação mostre resistência". "O Comitê entende ser apropriada a intensificação do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso".

RENATA PEDINI E FERNANDO TRAVAGLINI, Agencia Estado

06 de junho de 2013 | 11h21

Os trechos estão no parágrafo 28, que concentrou atenções. Nele, anteriormente (reunião de abril), o Comitê falava de incertezas, internas e externas, que ensejavam "cautela" na administração da política monetária. Já no documento atual (reunião de maio), o Copom diz que "tendo em vista os danos que a persistência desse processo (inflacionário) causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido".

Na avaliação do economista-sênior do Besi Brasil, o destaque é a preocupação do BC com a inflação. "O mercado ficou surpreso com a questão da piora da avaliação quanto à inflação", disse, referindo-se às altas vistas entre os contratos futuros de juros.

Segundo Serrano, "a ata, a priori, sugere que o BC tende a ser mais incisivo e o mercado entende que, além de julho, em agosto haverá nova alta (de 0,50 ponto porcentual)". Na curva de juros futuros, estavam embutidas, perto das 9h45, altas de 0,50, 0,50 e 0,25 em julho, agosto e outubro, respectivamente. Até a quarta-feira, 5, de acordo com o economista, havia divisão sobre agosto, entre um aperto menor e um maior.

Entre os contratos com vencimento no longo prazo, a ata deveria provocar alívio, já que alta forte da Selic agora resultaria em expectativa de desaceleração da inflação futura - portanto, juros menores. Mas, segundo operadores, a explicação para as altas desses contratos está em ajustes técnicos, além de movimentos relacionados às oscilações do dólar.

Às 10h55, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2015 tinha taxa de 9,25%, na máxima, de 9,10% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2017 projetava para 10,03%, de 9,84% na véspera. Entre os contratos com vencimento no curto prazo, o DI para janeiro de 2014 apontava 8,58%, ante 8,50%.

Quanto às projeções de inflação, a projeção para o IPCA em 2013 aumentou e está acima de 4,5% nos cenários de referência e de mercado, o que ajudaria a explicar a mudança nos votos dos dois diretores que votaram pela manutenção em abril - Aldo Mendes (Política Monetária) e Luiz Awazu (Assuntos Internacionais). Para 2014, a projeção do IPCA pouco se alterou, seguindo acima de 4,5% nos cenários de referência e de mercado.

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