Atingimos fundo do poço e devemos ficar meses nele, diz BES

Para o economista Jankiel Santos, a inflação não será preocupação este ano e sim o ritmo da atividade

Luciana Xavier e Célia Froufe, da Agência Estado,

06 de fevereiro de 2009 | 16h08

A inflação não será uma preocupação este ano, afirmou o economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo ao comentar o resultado do IPCA de janeiro. "A grande questão este ano será o ritmo de atividade", acrescentou. Na sua avaliação, a inflação deve convergir para o centro da meta, 4,5%, até o final do ano. O IPCA subiu 0,48% no mês passado, ante 0,28% em dezembro, e superou o teto das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de 0,35% a 0,47%. O BES esperava uma alta 0,38%.   Ouça a entrevista Segundo Santos, a pressão dos preços administrados foi maior do que o esperado, com alta de 0,75% em janeiro. Essa pressão, acredita, deve arrefecer em fevereiro e dar lugar à pressão do item Educação. A estimativa do economista é de que o IPCA, por conta dessa pressão, suba de 0,50% a 0,55% em fevereiro. Para Santos, a economia brasileira vai passar por recessão técnica neste início de ano. Ele estima que o PIB do 4º trimestre de 2008 deva cair 1,5% e no 1º trimestre de 2009 a queda será de 0,7%, na margem. "Já atingimos o fundo do poço e devemos ficar nele alguns meses", disse. O economista disse, no entanto, que a economia deve se recuperar até o final do ano, o que deve garantir um PIB em torno de 2% em 2009. Segundo ele, os próximos números da indústria serão importantes para mostrar a variação dos estoques após os dados ruins da produção industrial de dezembro, com queda de 12,4% ante novembro. Santos disse que o Banco Central deve repetir o corte de um ponto porcentual da Selic, para 11,75%, na reunião de março e que não espera dados muito surpreendentes até lá. "Pouca coisa deve ser alterada até a reunião de março", acredita. Ele espera um terceiro corte, de 0,50 ponto porcentual, da taxa na reunião de abril e então uma pausa a partir do encontro de junho, com Selic encerrando o ano em 11,25%.

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