Atividade econômica volta ao foco

Na ressaca pós-primeiro turno, as atenções dos investidores voltam-se novamente para a agenda de divulgação de indicadores econômicos do Brasil e dos Estados Unidos. A semana está carregada nos dois países. Por aqui, há dois destaques. Um deles é a produção industrial de agosto, que será anunciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira. O outro é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro, que sai na sexta-feira. Esse é o índice que baliza as metas de inflação no Brasil. "Se a produção industrial crescer menos de 1% sobre julho, apontará para um terceiro trimestre morno para a economia, como já foram o primeiro e o segundo", disse o economista-chefe do Banco Pátria de Negócios, Luís Fernando Lopes. Se isso ocorrer, o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá menos do que os 3,5% projetados pelo Banco Central (BC). O economista-chefe do Banco Banif de Investimentos, Marco Antonio Maciel, estima uma alta de 0,3% da produção industrial de agosto em relação a julho. "Será um crescimento marginal", disse. A projeção dele para a expansão do PIB em 2006 é de 3%. No que se refere à inflação, a expectativa de Maciel é de que o IPCA de setembro tenha subido em 0,14%. "Mas há chances de que seja ainda mais baixo, se tomarmos por base alguns indicadores antecedentes e o IPCA-15", ressaltou. Os dois números são importantes porque devem influenciar as futuras decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) acerca da taxa básica de juros. Para Maciel, a Selic encerrará 2006 em 13,5% ao ano. Lopes aposta em dois cortes de 0,5 ponto porcentual nas duas reuniões que serão realizadas este ano. Com isso, a taxa estaria em 13,25% em dezembro. Nos Estados Unidos, o grande indicador da semana sai na sexta-feira. Trata-se do relatório do mercado de trabalho referente a setembro. Além da taxa de desemprego, serão divulgados a variação da folha de pagamentos, os ganhos médios por horas trabalhadas e a média de horas trabalhadas. Para Maciel, esses dados são fundamentais para compreender o estágio atual da economia americana. "A questão agora não é mais a inflação, que o mercado entende estar controlada. O importante é o nível de atividade." Nesse cenário, a tendência para os principais ativos do mercado brasileiro é positiva na semana. Os juros futuros devem recuar, assim como o dólar. O comportamento da bolsa depende do apetite de investidores estrangeiros por mercados emergentes.

Agencia Estado,

02 de outubro de 2006 | 09h42

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