Atividade industrial e inflação são destaques da semana

O mercado financeiro inicia a semana, a primeira de abril, recheada de indicadores importantes que podem clarear o cenário sobre os juros. Passado o estresse provocado pela troca de comando no Ministério da Fazenda e após reagir bem às primeiras ações e nomeações do ministro Guido Mantega, o mercado vai voltar as atenções a dados econômicos que podem definir os próximos passos da política monetária. "Os indicadores vão mostrar que a economia está crescendo e a inflação está caindo", diz o estrategista-chefe do banco PNP Paribas Brasil, Alexandre Lintz. Pelo lado da atividade, o indicador de destaque é o da produção industrial de fevereiro, a ser divulgado amanhã. A previsão de Lintz é que ela avance de 3,2% em janeiro para 3,6%, indicando um crescimento, após ajuste sazonal, de 0,7% e anualizado de 8,4%. "Como houve um recuo de 1,3% em janeiro sobre dezembro, os novos dados vão apontar que a produção está em processo de recuperação." O indicador mais aguardado de inflação é o IPCA de março, a ser conhecido na sexta-feira e projetado em 0,45% para o número cheio e em 0,46% para o núcleo, uma ligeira desaceleração em relação ao de 0,49% em fevereiro. "O processo de queda gradual do núcleo é uma garantia de que o Banco Central vai continuar cortando os juros." A previsão de Lintz é de redução de mais 0,75 ponto porcentual, como indicou a última ata, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nos dias 18 e 19. Outro destaque de inflação é o IGP-DI de março, a ser divulgado na quinta-feira e estimado pelo banco como deflação de 0,35%. Ainda dentre os dados de atividade, atrai o interesse , segundo o estrategista-chefe do BNP Paribas, os dados da Anfavea sobre produção, exportação e vendas de veículos em março que serão divulgados também na quinta. Os dados da Confederação Nacional da Indústria sobre a atividade industrial em fevereiro também saem nesta semana, ainda sem dia definido. Outro dado que desperta interesse é o fluxo de câmbio à vista em março, que será divulgado na quarta-feira. O excedente projetado de US$ 5,8 bilhões no mercado de câmbio (fluxo de comércio de US$ 4,1 bilhões e financeiro de US$ 1,7 bilhão) poderá ser indicação, diz Lintz, de que a tendência é de valorização do real no curto prazo. O dado-chave no exterior sai na sexta-feira e se refere ao número de vagas de trabalho criadas nos EUA em março (payroll). "Lá fora, o mercado continua muito volátil, porque há dúvida se o juro americano tem como limite de alta o nível de 5% ou vai chegar a 5,25%."

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