Aumento de juros nos EUA virá em 2010, diz economista

Para Art Hogan, do Jefferies, recuperação americana ainda não começou e só deve ficar clara em 2010

Luciana Xavier, da Agência Estado,

26 de junho de 2009 | 16h04

O início de um ciclo de alta de juros nos Estados Unidos só virá em 2010, avalia o diretor do Jefferies Investment Bank em Nova York, Art Hogan. Segundo ele, as autoridades do Federal Reserve (Fed) deverão manter os juros perto de 0% a 0,25% até o final do ano. "O aumento de juros deve vir somente na primeira metade de 2010 e será gradual, com altas de 0,25 ponto porcentual por vez, como ocorreu no último ciclo de aperto monetário", afirmou o economista ao AE Broadcast Ao Vivo. Para ele, o ciclo de alta deve levar os Fed Funds para algo entre 1% a 1,5% no final do próximo ano.

 

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A recuperação da economia norte-americana ainda não começou e só deve ficar clara em 2010, quando o PIB anualizado poderá crescer em média 3%, disse Hogan. "Os Estados Unidos ainda estão em recessão. Mas conforme olhamos os indicadores econômicos, percebemos que o pior ficou para trás. Ou seja, o cenário parece mais favorável e começamos a ver mais daquilo que gostaríamos de ver nos dados econômicos. Mas será somente na primeira metade de 2010 que teremos nosso primeiro PIB positivo", prevê Hogan. Para o 1º trimestre de 2010, o economista espera que o PIB fique de 0% a 1% e, no 2º trimestre, crescimento de 1% a 2%. "A primeira metade trará a virada", acrescentou o diretor do Jefferies.

 

Para o diretor, não se pode dizer que a trajetória de baixa das bolsas de Nova York acabou, pois ainda "há muita falta de convicção" entre os investidores. Segundo ele, os mercados devem seguir de lado até que sejam divulgados os indicadores referentes ao 2º trimestre. Uma vez que os números mostrem que o pior realmente já passou, Hogan acredita que as bolsas possam ter um rali de mais 10% este ano, com Dow Jones chegando aos 9200 pontos e S&P 500 subindo para ao redor de 985 pontos.

 

Hogan disse que a retomada da economia global, no entanto, deve ficar mais evidente, com mais PIBs positivos, a partir do último trimestre de 2010, acredita ele. E, no caso dos emergentes, isso deve ocorrer antes do que nos EUA e do restante do mundo desenvolvido, especialmente China e Brasil.

 

"Se você quer investir, diria para escolher primeiro as nações do BRIC e depois os países desenvolvidos. Entre os países do BRIC, diria para investir nesta ordem: Brasil, China, India e a Rússia provavelmente bem mais atrás, pois o país tem mais dificuldades estruturais. Mas se o petróleo subir para US$ 70 ou US$ 80, muitos desses problemas serão resolvidos mais rapidamente", disse.

 

Segundo Hogan, o Brasil está em primeiro lugar, tem feito "coisas espetaculares" para estimular a economia. Ele citou especificamente a agricultura e o esforço do País em manter a liderança mundial na produção de açúcar. "Diria que a moeda do Brasil deve seguir forte em relação ao dólar e apostar no real está em linha com esse processo".

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