Avanços do IGP-M e da indústria mantêm juros sob viés de alta

Contratos futuros de juros de longo prazo passaram boa parte do dia perto dos ajustes anteriores, mas engataram alta na meia hora final da negociação

Denise Abarca, da Agência Estado,

10 de fevereiro de 2010 | 17h22

Os juros futuros operaram sob viés de alta ao longo da sessão, em reação a dados domésticos, como a divulgação do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) informado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a primeira prévia do IGP-M de fevereiro, e em meio a um cenário externo tenso. Ao término da negociação normal da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a projeção para os contratos futuros de depósito interfinanceiro (DIs) com vencimento em janeiro de 2011 (318.700 contratos) projetava 10,28%, de 10,26% no ajuste de ontem. O DI com vencimento em julho de 2010 (39.105 contratos) subia a 9,18% (máxima), de 9,15% ontem. O DI com vencimento em janeiro de 2012 (135.191 contratos) estava na máxima de 11,44%, de 11,42%.

O primeiro indicador disponível ao mercado foi o IGP-M da primeira prévia do mês, que disparou a 0,98%, de 0,27% em igual prévia de janeiro. O número ficou dentro das previsões (0,43% a 1,14%) mas superou a mediana de 0,79%. Na abertura do dado, chamou a atenção o comportamento dos bens finais, cujos preços avançaram 2,27%, muito mais do que o avanço de 0,67% na primeira prévia de janeiro.

Após o número de inflação salgado, o mercado recebeu os indicadores da CNI. A aceleração do Nuci, de 81,3% em novembro para 81,7% em dezembro, segundo dados dessazonalizados, sugere que a ociosidade da indústria está diminuindo, o que pode reforçar as pressões inflacionárias.

Por fim, ajudaram a alimentar a pressão nas taxas as declarações do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, dadas em entrevista ao Grupo Estado. Meirelles afirmou que eram previsíveis os problemas com a situação fiscal de alguns países e também é previsível que nem todas as perdas dos grandes bancos já estejam reconhecidas. Mas, para ele, não está configurada uma probabilidade elevada de recessão no modelo W. A leitura do mercado das palavras de Meirelles foi a de que, para o Banco Central, a fragilidade do ambiente externo não deve funcionar como um atenuante para a necessidade de elevar a Selic.

 

Com a manutenção da pressão sobre os contratos de curto prazo, os vencimentos longos passaram boa parte do dia perto dos ajustes anteriores, mas engataram alta na meia hora final da negociação normal. Operadores atribuíram o comportamento à antecipação das posições com vistas ao leilão semanal de títulos prefixados do Tesouro Nacional, amanhã.

 

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