Aversão ao risco provoca queda forte da Bolsa

Mercado ainda digere decisão da Alemanha de impor limites a operações especulativas

Beth Moreira, da Agência Estado,

19 de maio de 2010 | 12h20

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) está em queda nesta quarta-feira, refletindo o aumento das preocupações do mercado em relação à situação da Europa. A notícia de que a Alemanha pretende impor limites às negociações de venda a descoberto de alguns títulos governamentais da zona do euro, de swaps de default de crédito (CDS) ligados aos papéis soberanos da região e de 10 ações do setor financeiro alemão, também provoca nervosismo nos investidores.

 

Às 14h58, o principal índice da Bolsa paulista registrava desvalorização de 1,99% aos 59.629 pontos. Na mínima alcançou 59.245. No mesmo horário, em Nova York, o Dow Jones caía 0,62% e o S&P 500 registrava queda de 0,47%.

 

O medo de uma recessão mais generalizada na Europa aumenta as perspectivas de que a região reduza as importações da China e esta, por sua vez, reduza as compras de commodities, o que vem afetando o preço de vários insumos no mercado internacional, avalia o analista de investimentos da SLW, Pedro Galdi, lembrando do peso das ações ligadas à commodities na Bolsa paulista.

 

Itaú Unibanco

 

As ações preferenciais do Itaú Unibanco recuavam 4,97% e lideravam a lista de maiores quedas do Ibovespa no mesmo horário, após notícia de que o Bank of America (BofA) venderá a participação de 8,4% das ações preferenciais e 2,5% das ordinárias que detém no banco.

 

Com base na cotação de fechamento dos papéis ontem na BM&FBovespa, a participação da instituição norte-americana no maior banco privado brasileiro vale R$ 8,161 bilhões. A participação do BofA em ações ON será vendida diretamente para a Itaúsa, que elevará a participação direta e indireta no capital do Itaú Unibanco de 35,43% para 36,68%. O preço de aquisição de cada ação ON corresponderá ao preço do ADS que será definido na oferta que o BofA fará no exterior pelos papéis PN.

 

Para analistas da XP Investimentos, é esperado que as ações preferenciais se ajustem ao preço das ordinárias. Isso porque a Itaúsa pagará pela ON o mesmo preço da PN. Eles lembram que no fechamento de ontem a diferença entre os dois papéis era de 26%, com a PN cotada a R$ 34,99 e a ON em R$ 27,78. "A tendência é de que a ON se valorize e a PN caia", afirmam.

 

Profissionais da corretora avaliam que o aumento da participação da Itaúsa no controle do banco é positivo, mas destacam que o mercado pode interpretar que a holding está pagando caro por isso. Por volta do meio dia, ações da Itaúsa recuavam 3,48%. Outras empresas do setor financeiro também registram desvalorização hoje. Bradesco caía 2,28% e Banco do Brasil recuava 3,90%.

 

Petrobrás e Vale

 

Petrobrás PN recuava 1,44% e Petrobrás ON cedia 1,43%. A cotação do petróleo na Nymex eletrônica registrava leve alta, mantendo-se acima dos US$ 69,00 o barril.

 

Vale PNA cedia 2,87% e ON registrava perdas de 2%. Hoje os metais básicos voltaram a operar em baixa, depois da recuperação curta observada ontem. As preocupações com a Europa estão novamente dominando o sentimento dos investidores, que estão preferindo comprar dólar em vez de commodities e ações.

Texto atualizado às 15h

Tudo o que sabemos sobre:
açõesbolsaEuropacrise

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.