Aversão no exterior mantém dólar em alta ante o real

Pouco antes das 10h, o contrato futuro do dólar para setembro de 2012 exibia alta de 0,25%, a R$ 2,0335

Olivia bulla, da Agência Estado,

24 de agosto de 2012 | 09h29

A aversão ao risco no exterior continua facilitando o trabalho do Banco Central e do governo de sustentar o piso de R$ 2,00. As declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, após reunião com o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, derrubam o euro e mergulham os mercados internacionais no vermelho, aumentando a busca por ativos seguros. Com isso, o real deve perder valor pela terceira sessão seguida ante a moeda norte-americana, em dia de agenda econômica fraca ao redor do mundo.

Por volta das 9h20, na BM&F Bovespa, o contrato futuro do dólar para setembro de 2012 exibia alta de 0,25%, a R$ 2,0335, depois de oscilar entre uma máxima a R$ 2,036 (+0,37%) e uma mínima a R$ 2,033 (+0,22%). No mercado de balcão, o dólar à vista subia 0,35%, a R$ 2,0310, na máxima logo após abertura dos negócios.

Operadores de câmbio avaliam que os investidores não devem repetir, no curto prazo, a tentativa de furar o piso informal de R$ 2,00, como fizeram na última terça-feira. Tanto que, nas duas sessões posteriores, a moeda norte-americana vem se distanciando dessa marca, seja por causa da proximidade do vencimento de aproximadamente US$ 4,5 bilhões em swap cambial, no próximo dia 3 de setembro, ou diante da ameaça de novas intervenções do Banco Central, via leilões de swap reverso.

É cada vez mais nítida a percepção do mercado financeiro de que a autoridade monetária vai defender bravamente um dólar mais valorizado. Em evento na noite de quinta-feira, na capital paulista, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressaltou que com o câmbio há quase quatro meses acima de R$ 2,00 a indústria e os exportadores estão reagindo e melhorando as condições de competição internacional. "Dólar acima de R$ 2,00 dá mais competitividade às exportações, que começam a reagir", disse o ministro, destacando que essa melhora ocorre apesar da vigorosa crise internacional.

Em Berlim, Merkel afirmou estar convencida de que Samaras está fazendo de tudo para resolver os problemas fiscais da Grécia, mas salientou que as palavras precisam ser seguidas de ações. Ela manifestou desejo de o país mediterrâneo permanecer na zona do euro e disse que a Alemanha está pronta para ajudar. Mas insistiu, juntamente com a França, que a Grécia cumpra seus compromissos.

Já o primeiro-ministro grego garantiu que o país vai cumprir suas obrigações e a missão da troica - formada pela União Europeia (UE), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) - mostrará que o novo governo grego está na trajetória certa.

Mais cedo, por volta das 9 horas, o euro caía a US$ 1,2510, de US$ 1,2564 no fim da tarde de quinta-feira em Nova York. Já em relação à moeda japonesa, o dólar estava praticamente estável, a 78,51 ienes, de 78,50 ienes na véspera. Entre as moedas correlacionadas com commodities e de países emergentes, o dólar norte-americano subia 0,49% ante o dólar australiano; avançava 0,44% ante a rupia indiana e ganhava 0,30% ante o peso mexicano.

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