Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

Após maior IPO desde 2013, Azul estreia na Bolsa com ações em alta de 6%

Companhia aérea conseguiu fazer uma dupla listagem: no mercado brasileiro e em NY; ação chegou a subir 9% durante o pregão

Luciana Dyniewicz, Fernanda Guimarães, Victor Aguiar, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2017 | 18h44

Em sua estreia na Bolsa nesta terça-feira, 11, a companhia aérea Azul registrou alta de 6,67%, com seus papéis fechando a R$ 22,40. O resultado, de acordo com especialistas do setor, indica que o apetite dos investidores não foi saciado na segunda-feira, quando a oferta inicial de ações da empresa (IPO, na sigla em inglês) movimentou R$ 2 bilhões, com uma demanda quatro vezes maior do que a oferta. A transação marcou o maior IPO desde a oferta da BB Seguridade em 2013, bem como a primeira listagem dupla de companhia brasileira - São Paulo e Nova York - desde a oferta do Santander Brasil em 2009.

Para um analista de mercado ouvido pelo Estado, o comportamento das ações foi menos influenciado pela notícia de que o governo federal vai permitir a abertura irrestrita do setor aéreo ao capital estrangeiro e refletiu, em primeiro lugar, o interesse na empresa. "A demanda foi alta na segunda-feira e a tendência se repetiu hoje", disse.

Apesar de ter encerrado o ano passado no negativo, a companhia reduziu seu prejuízo líquido em 88% de 2015 para 2016. Segundo especialistas no setor aéreo, a empresa tem sido ágil na adequação da malha aérea e eficiente ao explorar mercados ignorados pelas concorrentes. "A companhia teve uma reação rápida (à queda de demanda doméstica), se desfazendo de 34 aeronaves, e tem a maior capilaridade do mercado nacional", destacou o professor da USP e especialista em aviação, Jorge Leal.

Para André Castellini, da consultoria Bain & Company, a empresa se destaca por operar uma malha aérea eficaz, não tendo concorrentes em 35% das cidades em que atua. "Eles conseguiram criar hubs (terminais de conexão) fortes (em Campinas e Belo Horizonte) e encontraram boas oportunidades de mercado."

Marco. Na cerimônia que marcou o início das negociações das ações na B3 (empresa resultante da fusão entre BM&FBovespa e Cetip), o presidente da Azul, Antonoaldo Neves, afirmou que a abertura de capital era um "marco histórico" para o País e que não representa um "destino final", mas um meio para a empresa continuar crescendo. "O investimento no Brasil volta a ser atrativo. Enfrentamos a crise de cabeça erguida e queremos ajudar o Brasil a se desenvolver", acrescentou. 

A Azul havia tentado abrir seu capital em outras três ocasiões entre 2013 e 2015, mas as operações fracassaram devido às condições adversas do mercado de capitais.

O executivo afirmou também que a análise da abertura do setor aéreo ao capital estrangeiro deve ser feita "de modo sistêmico, e não pontual", considerando todas as variáveis que impactam o mercado e não só a disponibilidade de recursos. "Nos últimos 18 meses, a Azul atraiu quase US$ 1 bilhão de capital. Não temos tido problemas (para atrair investimentos)", disse Neves, que evitou fazer comentários sobre a movimentação do governo para regulamentar a questão.

Entre as aéreas, a Azul é a única que se opõe a abertura. Grande parte dos papéis da companhia já está nas mãos de estrangeiros - da chinesa HNA e da americana United Airlines. Esses investidores conseguem se esquivar da lei por não deterem ações que dão direito a voto. Segundo a atual legislação, o capital votante é limitado a estrangeiros, não podendo ultrapassar a fatia de 20%.

Sobre as perspectivas para o setor aéreo brasileiro, Neves limitou-se a dizer que é difícil especular sobre o futuro e que o contexto atual de demanda doméstica no Brasil é complicado.

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