Balança comercial pode elevar cotação do dólar em 2007

À parte as medidas governamentais, é forte a expectativa de que a própria balança comercial brasileira acabe elevando a cotação do câmbio. Um trabalho em fase de conclusão conduzido por Roberto Giannetti da Fonseca mostra que as importações podem explodir no ano que vem, ao mesmo tempo em que as exportações já mostram sinais de deterioração. O trabalho mostra que, no início desta década, a relação elasticidade da demanda/importações era de 1 para 3. Em outras palavras, a cada 1 ponto porcentual de crescimento do PIB, as importações crescem 3 pontos - um patamar considerado equilibrado. Hoje, essa relação está em 1 para 8, porque o câmbio distorceu os preços relativos. Dessa equação interpreta-se, segundo o economista, que as importações estão muito mais elevadas do que já foram. Dessa forma, o que pode acontecer é que se a economia voltar a crescer 5%, as importações vão explodir para um aumento na casa dos 40%, sobretudo em bens de capital e commodities. Essa alta, em contrapartida e somada à desaceleração das exportações, tende a diminuir o superávit comercial e a desvalorizar o real. De fato, completa Fabio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores, as forças externas em 2007 estarão menos favoráveis às exportações brasileiras, com os preços das commodities mais baixos, e farão pressão sobre o superávit comercial. ?Talvez tenhamos um superávit de US$ 35 bilhões?, disse o economista, ?o que significa uma boa mordida na entrada de dólares?, completou. Dessa forma, não surpreenderá se o câmbio ao final de 2007 estiver no patamar de R$ 2,30 e R$ 2,35. Na semana passada, o Banco Central divulgou projeção de superávit comercial de US$ 30 bilhões para 2007, muito inferior ao saldo estimado para este ano, de US$ 44 bilhões, e aos superávits do ano passado, de US$ 44,764 bilhões, e de 2004, de US$ 33,662 bilhões.

Agencia Estado,

13 de outubro de 2006 | 07h00

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