KAREN BLEIER/AFP
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Banco central dos EUA continuará injetando recursos no sistema bancário

Fed disse que realizará operações até outubro; para especialista, instituição está agindo como credor dos bancos para chegar ao equilíbrio entre oferta e demanda por títulos públicos americanos

Reuters

20 de setembro de 2019 | 16h22

NOVA YORK - O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, planeja injetar dinheiro no sistema bancário americano até o início de outubro, em uma tentativa de evitar outra perturbação do mercado. Analistas, porém, veem necessidade de a autoridade propor correções de longo prazo.

No início desta semana, as taxas de juros no mercado de repo, título público que será recomprado pelo governo, dispararam para níveis não vistos desde o auge da crise global de crédito em 2008.

Bancos e Wall Street, onde fica a Bolsa de Nova York, contam com esse mercado de US$ 2,2 trilhões em recursos para financiar empréstimos e operações em outros mercados, incluindo ações e títulos.

As taxas no mercado de recompra (repo) bateram 10% na terça-feira, impulsionando outras taxas de curto prazo.

Demanda em alta

Analistas culparam pela enorme demanda de caixa o pagamento de impostos corporativos trimestrais e a liquidação (ocorrida na segunda-feira) da venda de US$ 78 bilhões em Treasuries (títulos do tesouro americano), operação ocorrida na semana passada.

Os profissionais também atribuíram o declínio no excedente de reservas —para cerca de US$ 1,4 trilhão, de US$ 2,3 trilhões em 2017— à redução da carteira de títulos detida pelo Fed.

O BC dos EUA entrou em ação no início da terça-feira, colocando dinheiro temporário em larga escala pela primeira vez em mais de uma década para amenizar o nervosismo dos mercados.

Credor de bancos

“O Fed está simplesmente agindo como credor dos bancos a fim de oferecer apoio para que as instituições financiem o mercado, ajudando assim a equilibrar o descompasso entre oferta e demanda que puxou para cima as taxas do mercado repo”, escreveram analistas da empresa de serviços financeiros KBW em nota.

Desde terça-feira, o Fed realizou quatro rodadas de operações compromissadas, com bancos e dealers (negociadores de títulos públicos) tomando empréstimos utilizando sua carteira de Treasuries e outros títulos como garantia.

Nesta sexta-feira, o Fed de Nova York, que implementa as ações de mercado pelo banco central, disse que realizará mais operações compromissadas até outubro.

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Essa medida foi uma das principais razões pelas quais o Fed cortou na quarta-feira os juros que paga aos bancos sobre as reservas bancárias e em operações reversas no mercado de repo.

Diferentemente de outros episódios de forte alta nas taxas do mercado de repo, alguns analistas dizem que o que assustou o Fed na terça-feira foi o fato de que havia forte indicação de que o custo de empréstimos no mercado de fed funds estava acima do limite superior da meta de juros do Fed, até então entre 2,00% e 2,25%.

O Fed tem como meta a taxa das fed funds para conduzir a política monetária.

Possível perda de controle

Se essa condição persistir, poderá gerar medo nos mercados de que os formuladores de política monetária estejam perdendo o controle das taxas de juros de curto prazo, disseram analistas.

Embora as operações de recompra devam fornecer uma ajuda temporária, analistas disseram que o Fed precisa oferecer soluções mais permanentes.

“As condições subjacentes que deram origem ao estresse no financiamento ainda estão em vigor”, disse Guy LeBas, estrategista-chefe de renda fixa da Janney Montgomery Scott, na Filadélfia.

Outros analistas disseram que os formuladores de política monetária deveriam considerar o anúncio de um mecanismo permanente chamado “standing repo facility” (que ajudaria a melhorar as condições de liquidez) e/ou o aumento das compras de Treasuries.

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