Banco Central faz bem em matar mal pela raiz

Para o economista Alexandre Lintz, do BNP Paribas, foi correta a decisão do BC subir a Selic em 0,75pp e acha que deve repetir a dose nas próximas reuniões

Luciana Xavier e Célia Froufe,

25 de julho de 2008 | 17h59

A decisão mais agressiva do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), de elevar a Selic em 0,75 ponto porcentual, para 13%, foi a mais correta e a melhor resposta à piora do balanço de risco do 2º trimestre, avaliou o estrategista do BNP Paribas, Alexandre Lintz. "Matar o mal pela raiz é a melhor estratégia e a que leva menor custo", afirmou.Ouça a entrevista  Segundo Lintz, o BC já vinha mudando o seu discurso ao longo do último mês, com foco na inflação potencial na cadeia produtiva, e o presidente do BC, Henrique Meirelles, tem deixado claro que busca uma inflação de 4,5% para 2009. Lintz observou ainda que o comunicado, a exemplo dos discursos recentes de Meirelles, mostrou tom mais duro e firme ao colocar a palavra "tempestividade". O comitê informou ter tomado a decisão "avaliando o cenário macroeconômico e com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas". O estrategista acredita que esta foi a primeira de três altas de 0,75 pp da Selic este ano, que poderá encerrar em 15,25%. Um último aumento, de 0,50pp, poderá ser feito no início de 2009. "Em setembro, a alta será de 0,75pp independentemente dos dados de inflação corrente", disse. Para Lintz, mais que a inflação corrente, o BC está olhando o hiato do produto e o nível de emprego. "A demanda continua robusta". Para Lintz, a economia brasileira crescerá 4,8% este ano e pode desacelerar para 3,5% em 2009. "Um PIB de 3,5% é excelente à luz do cenário internacional", comentou. Inflação Os números do IPCA-15 de julho vieram muito bons, mas não compensam os dados do desemprego de junho, na avaliação de Lintz. A inflação medida pelo IPCA-15 ficou em 0,63% em julho, ante 0,90% em junho, perto do piso das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de 0,62% a 0,75%, com mediana em 0,67%. No ano, o índice acumula alta de 4,33% e em 12 meses, de 6,30%. "Mas a inflação corrente é muito volátil", ressaltou. Já a taxa de desemprego apurada nas seis principais regiões metropolitanas do País foi de 7,8% em junho, ante 7,9% em maio e a taxa média de desemprego no primeiro semestre de 2008 ficou em 8,3%, a menor apurada na nova série histórica da pesquisa mensal de emprego do IBGE, iniciada em 2002. O estrategista do BNP Paribas espera que a inflação rompa o teto da meta já em agosto, com projeção de IPCA em 12 meses em 6,6%. A projeção para o IPCA de 2008 está em 6,53% e em 5% para 2009. Lintz trabalha com expectativa de desaceleração de alimentos no segundo semestre. "É difícil repetir o que aconteceu no segundo trimestre. Um alívio de alimentos para inflação é o cenário básico", disse, referindo-se às surpresas de inflacionária na primeira metade do ano. Focus O estrategista disse que a decisão do Copom terá impacto primeiramente nos títulos públicos e mercado de juros. Só depois é que se notará alguma acomodação da piora das expectativas na pesquisa Focus. "A Focus, infelizmente, tem certa defasagem para ajuste nas pesquisas. As inflações implícitas nos títulos públicos ou nos mercados de juros, nos swaps, devem se estabilizar e mostrar moderação e na Focus, mais no médio prazo", disse. Para Lintz, "o BC está se esforçando para não ficar atrás da curva de juros". "O Brasil tem administrado a inflação muito melhor que outros emergentes e isso fará com que em 2009 e 2010 o desempenho econômico brasileiro seja superior ao desses países", comentou. Segundo o estrategista, a decisão do BC é positiva para a imagem do Brasil no exterior, uma vez que muitos países estão com dificuldades em combater a inflação diante de riscos recessivos. Ele lembrou que "o comprometimento do BC com a inflação baixa" tem sido citado sempre pelas agências de classificação de risco. "Os efeitos (do aperto monetário) são positivos não só em termos de rating, mas para evitar uma contaminação de dinâmica de inflação, principalmente expectativas e salários

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